AS AULAS NO CINEMA

CONCEIÇÃO ARENAL, ESCRITORA E ATIVISTA SOCIAL

(Um filme e vários documentários)



Nas datas de 5 e 8 de setembro comemoram-se respetivamente os Dias Internacionais da Caridade e da Alfabetização. Não tenho dúvida alguma de que a escritora e ativista social galega Conceição Arenal Ponte (1820-1893) é a personalidade mais idónea para comemorar e comentar datas tão assinaladas. Por isto é de justiça dedicar o presente depoimento, dentro da série sobre grandes personalidades, que devem conhecer todos os escolares dos diferentes níveis, e que iniciei com Sócrates, a esta grande mulher galega. Com ela completo o nº 64 da série.

concepcao-arenal-foto-1Nasceu no seio de uma família acomodada de Ferrol e o seu nome está vinculado indiscutivelmente com o feminismo espanhol. Foi uma autêntica revolucionária que se opôs à norma estabelecida, tanto que chegou a sortear todas as dificuldades próprias da sua época para assistir à universidade. As leis negavam-lhe o poder aceder à educação por ser mulher, no entanto não estava disposta a renunciar e o fez disfarçada de homem. Foi descoberta e apesar de continuar indo a aulas, nunca pôde matricular-se e, claro está, nunca recebeu nenhum diploma.

Na universidade conheceu o que seria o seu esposo Fernando Garcia Carrasco, um homem 15 anos mais velho que ela, e a que acompanharia, vestida de homem, a tertúlias políticas e literárias de Madrid. Junto a ele colaborou no jornal liberal La Iberia. Depois da sua morte em 1857 instalou-se em Potes, um povo cântabro, onde desempenhou trabalhos humanitários através de organizações sociais.

O seu primeiro livro foi a novela História dum coração, e em 1851 publicou Fábulas em verso. Em 1860 veio à luz o seu ensaio A beneficência, a filantropia e a caridade, que publicou utilizando o nome de um dos seus filhos, embora fosse descoberta ao obter o prémio da Academia de Ciências Morais e Políticas. Ao descobrir-se que o autor era uma mulher, o prémio ficou suspenso durante um tempo, embora finalmente os académicos cedessem e C. Arenal se convertesse na primeira mulher em receber este prémio.

Atravessou outra barreira ao converter-se na primeira mulher visitadora de cárceres femininos, posto que até o momento estava destinado exclusivamente a homens. A sua experiência em prisões serviu-lhe para analisar o sistema penitenciário e publicar o ensaio O réu, o povo e o verdugo e A execução da pena de morte. Depois destas obras, escreveu outros livros de carácter feminista, como A mulher do porvir, com o qual defendeu o acesso da mulher à educação e onde não aceita a superioridade do homem baseada em critérios biológicos. C. Arenal faleceu em Vigo aos 73 anos deixando um legado que foi recolhido por outras mulheres que decidiram continuar com a sua luita.

PEQUENA BIOGRAFIA:

concepcao-arenal-caricaturaA professora da Universidade de Alacant Mª Ángeles Ayala Aracil escreveu no seu dia uma muito atrativa e interessante biografia de C. Arenal. Da mesma recolhemos abundantes dados muito significativos, para compreender melhor a vida e a obra da nossa escritora e educadora social e feminista. Apesar da reserva absoluta com que quis manter a sua vida privada com o fim de que no futuro só fosse conhecida pelos seus trabalhos intelectuais, contamos com alguns estudos biográficos que, baseados em fontes documentais e nos testemunhos da própria escritora e de alguns dos seus amigos mais íntimos, permitem esboçar a sua biografia. Nasceu em Ferrol a 31 de janeiro de 1820, primeiro fruto do casal formado por Mª Conceição Ponte e Ângelo Arenal, membros de ilustres famílias galegas e cântabras, respetivamente. A ideologia de seu pai, firme defensor do liberalismo, e o seu prematuro falecimento vão marcar sem dúvida o carácter de C. Arenal. Dele aprenderá a manter firmes as suas convicções pessoais e a luitar pelo que acredita ser justo. Não esqueçamos que seu pai começou a cursar os estudos de leis, embora ao surgir a guerra da independência tenha que deixá-los para ingressar na carreira militar. Apesar de participar em numerosas ações e destacar pelo seu patriotismo, ao entronizar-se o absolutismo vai ser perseguido, julgado e confinado, como outros liberais da época, pelas suas ideias políticas, até que em 26 de janeiro de 1829 falece, como consequência de tantos avatares e sofrimentos. Depois da sua morte, a viúva e as três filhas do casal deslocam-se para a casa da avó paterna em Armanho, uma pequena aldeia do vale de Liébana (Cantábria), onde vão permanecer até 1835, não sem antes sofrer um novo infortúnio, pois a irmã mais nova, Luisa, falecerá em 26 de outubro de 1830. Em 1835 a sua mãe decide deslocar-se a Madrid para que as suas duas filhas, Concha e Tonina, recebam a educação própria de umas senhoritas. A chegada à capital não deveu agradar-lhe muito, já que até este momento tinha desfrutado de uma vida livre de preconceitos sociais e em contato constante com a natureza. Em Madrid reside o conde de Vigo, irmão de sua mãe, e as duas meninas junto a suas primas ingressam como alunas externas no colégio de Tepa, onde na falta de um verdadeiro programa de estudos lhes ensinariam a comportar-se corretamente em sociedade, tal como desejava sua mãe. Programa de estudos que desde logo não satisfaz a sua enorme curiosidade intelectual, essa imensa ansia de saber que carateriza C. Arenal. Tem-se comentado que nestes anos aprendeu ela só italiano e francês, ao igual que se sentia atraída pela leitura de livros que versavam sobre ciências e filosofia. As relações entre a mãe e a filha não foram muito harmoniosas, pois C. Arenal ao finalizar essa primeira etapa educativa tinha o desejo de cursar estudos superiores, um desejo inaudito numa mulher da época e claramente reprovável para a sua mãe.

Em 1840 volta para Armanho para assistir à sua avó doente, Jesusa de la Cuesta, circunstância que lhe permite pôr distância entre ela e sua mãe. Ela está totalmente decidida a levar a cabo a sua aventura e, por ironias do destino, o falecimento da sua avó esse mesmo ano, recai sobre ela a herança familiar, e o de sua mãe em 1841, facilita a sua pretensão: C. Arenal é dona absoluta do seu destino, pondo em prática aqueles projetos a que a sua mãe se tinha oposto com força. Durante os anos 1842-43, 1843-44 e 1844-45 vai assistir vestida de homem a algumas aulas de Direito na universidade. Evidentemente não se inscreveu no curso, nem fez exames, não conseguiu qualquer diploma, pois neste momento histórico as aulas universitárias estavam reservadas exclusivamente para os varões, embora sem dúvida enriquecesse e afiançasse o seu interesse pelas questões penais e jurídicas. Ali conhece Fernando Garcia Carrasco, com o qual se casa em 10 de abril de 1848, apesar dos quase quinze anos que a separam deste advogado e jornalista. Homem avançado para a época que soube entender com total perfeição as aspirações de C. Arenal e contemplou sua esposa num verdadeiro plano de igualdade, pois sempre admitiu que o acompanhasse vestida de homem às tertúlias do café Iris, ou que contribuísse para o lar com os ganhos dum trabalho remunerado. O casal teve três filhos, dos quais sobreviveram os dous mais novos, Fernando (1850) e Ramón (1852), pois a maior, Conceição (1849), faleceu aos dous anos de idade.

A partir de 1875, com a saúde deteriorada e depois do falecimento da primeira mulher do seu filho Fernando, desloca-se a Gijom ao ser nomeado o seu filho diretor de obras do porto da cidade. No mês de janeiro de 1893 as suas doenças agravam-se, falecendo, finalmente, a 4 de fevereiro desse ano.

FICHAS TÉCNICAS DO FILME E DOCUMENTÁRIOS:

A. Filme: Concepción Arenal, la visitadora de cárceles (C. Arenal, a visitadora de cárceres). Para TV.

Diretora: Laura Mañá (Espanha, 2012, 86 min., a cores).

Roteiro: Laura Mañá e Rafa Russo. Música: Francesc Gener. Fotografia: Sergi Gallardo.

Ver entrando em: http://www.rtve.es/alacarta/videos/concepcion-arenal-la-visitadora-de-carceles/concepcion-arenal-visitadora-carceles/3303778/

Produtoras: Distinto Films / Zenit TV / Televisió de Catalunya (TV3) / TV da Galiza / Canal Sur Televisión / TVE. Prémio Gaudí em 2013, nomeado ao melhor filme para TV.

Atores: Diana Gómez, Blanca Portillo, Mabel Rivera, Óscar Rabadán e Pere Arquillué.

Argumento: A vida de C. Arenal na sua faceta como visitadora de cárceres de mulheres. A sua luita por mudar a conceção que havia sobre os delinquentes e o que tinham que ser os cárceres modernos.

B. Documentários:

1. C. Arenal, a força de um ideal. Mulheres na história.

Duração: 52 minutos. A cores.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=mDdvlCbE8gY

2. Conceição Arenal.

Duração: 60 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=5OTnkSPCQPM

3. Conceição Arenal.

Argumento: Pensadora, penalista, escritora, feminista e reformadora social do S. XIX.

Duração: 10 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=HhZQFIbR9-w

4. C. Arenal: Biografia.

Duração: 6 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=tjn_txi8UR4

5. C. Arenal e a sua política do espírito.

Palestra de Anna Caballé.

Duração: 60 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=6TqSq1yEB9U

A SUA CRIAÇÃO LITERÁRIA:

Durante os primeiros anos do casal C. Arenal parece decantar-se pela literatura. Escreve algumas composições poéticas, três peças de teatro (Um poeta, A medalha de ouro e Dor e mistério), uma “zarzuela” (Os filhos de Pelaio), um romance que não se conservou (História dum coração), e as suas Fábulas em verso (1851), texto que vai ser declarado de leitura obrigatória no ensino primário. Em 1855 junto a Garcia Carrasco começa a colaborar no La Iberia, jornal liberal fundado por Pedro Calvo Asensio em 1854, que vai contar com um grande prestígio até a sua desaparição em 1898. A colaboração de C. Arenal inicia-se em 28 de julho de 1855 com o primeiro de uma série de sete artigos que levam como título “Watt, a sua vida e os seus inventos”. A prosa da autora nestes artigos é sóbria, pois está preocupada, especialmente, com conseguir uma exposição clara que ponha de relevo a importância do homem que contribui para fazer progredir a sociedade a que pertence. Garcia Carrasco, ademais de escrever artigos soltos, é o encarregado de redigir os editoriais, os artigos de fundo do diário até a sua morte em 10 de janeiro de 1857. Depois do seu falecimento a redação destes editoriais que aparecem sem assinatura recai em C. Arenal, até que Nocedal, ministro da Governação, promulga a Lei de Imprensa de 15 de maio de 1857, onde se impõe a obrigação de assinar os artigos que falem sobre política, filosofia e religião. Mês e meio depois, a 30 de junho, publica-se uma nota no La Iberia em que se alude aos artigos sem assinatura publicados por C. Arenal e se anuncia a cessação da sua colaboração como redatora fixa.

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C. Arenal, junto aos seus filhos, desloca-se a Oviedo, pois um poema inédito, Deus e a Liberdade!, aparece datado nesta cidade em julho de 1858. Porém, a sua estadia em Oviedo deveu ser curta, pois pouco tempo depois regressa ao vale de Liébana, onde tinha transcorrido parte da sua infância e adolescência, instalando-se em Potes na casa que aluga à mãe do violinista e compositor Jesus Monastério, o qual vai tornar-se fiel amigo da escritora. De firmes convicções religiosas, Monastério acaba de fundar em Potes as Conferências de S. Vicente de Paul, e consegue interessar C. Arenal nesta atividade com o fim de tirá-la desta forma de estado de abatimento e dor em que se encontrava depois do falecimento de seu esposo. Como consequência desta amizade com Jesus de Monastério, vai decidir fundar o ramo feminino desta instituição em Potes. Iniciam-se, pois, as preocupações sociais e humanitárias de C. Arenal, cujo fruto intelectual vai ser o ensaio A Beneficência, a Filantropia e a Caridade (1860), que será premiado pela Academia de Ciências Morais e Políticas, apesar de a escritora ter encoberto a sua identidade sob o nome de seu filho Fernando, que então tinha só dez anos. Averiguada a verdadeira autoria, pela primeira vez na história da Academia concede-se o prémio a uma mulher, já que os seus membros foram conscientes da importância do trabalho ao analisar uns conceitos que naquela época estavam pouco claros. C. Arenal assinala que com “beneficência” alude-se ao sistema de ajuda aos necessitados que adota o estado. O segundo, “filantropia”, é uma preocupação de ordem filosófica, pela dignidade do homem, enquanto que o terceiro termo, “caridade”, assinala a compaixão cristã, que obra de forma espontânea por amor a Deus e ao próximo. Obra dedicada à condessa de Espoz e Mina, a quem a vai unir posteriormente uma fraternal amizade. A sua seguinte obra, O visitador do pobre (1863), nasce da observação da escassa preparação que as mulheres tinham no momento de socorrer pobres e doentes. Obra que vai ser editada por iniciativa de Santiago Masarnau, presidente das citadas Conferências, o qual se entusiasma ao ler uma obra em que com inusitado tato, amor às pessoas necessitadas e com grande agudeza psicológica oferece reflexões e conselhos para acercar-se a estes desfavorecidos pela fortuna.

Quando a partir de 1875 já se encontra em Gijóm, ali, longe da vida pública, redige obras como As colónias penais na Austrália e a pena de deportação (1877), O cárcere chamado Modelo, Estudos penitenciários (1877), Ensaio histórico sobre o direito de gentes (1879), a sua obra jurídica mais importante sobre direito internacional. Também a partir da cidade asturiana envia relatórios aos Congressos Penitenciários que se celebram em diferentes anos em Estocolmo, Roma, S. Petersburgo e Antuérpia. Em 1878 publica outro dos seus mais famosos trabalhos, A instrução do povo, obra premiada pela Academia de Ciências Morais e Políticas. Devido a uma mudança de destino do seu filho Fernando, transfere para Vigo a sua residência, a partir de 1890. Ali recebe a notícia da defesa da sua candidatura para ocupar a vaga existente na Real Academia levada a cabo por Emília Pardo Bazám. Em 1891 escreve o Manual do visitador do preso, e prepara as suas contribuições para o segundo congresso pedagógico hispano-luso-norte-americano, A instrução do operário, e o ensaio “A educação da mulher” (1892). Nos últimos anos da sua vida a sua produção diminui, preocupada com a edição das suas obras completas, das quais de forma incompreensível se excluem as de tipo literário. No entanto, apesar da sua idade avançada e saúde precária, colabora em inumeráveis jornais e revistas da época como o Boletín da ILE (BILE), La España Moderna, La Nueva Ciencia Jurídica, Las Dominicales del Libre Pensamiento, La Ilustración Española y Americana, entre outros. No mês de janeiro de 1893 as suas doenças agravam-se, falecendo, finalmente, em 4 de fevereiro.

PREOCUPAÇÃO COM AS PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE:

A sua preocupação com a situação em que se encontravam os presos vem motivada pelo facto de que, por iniciativa da própria Isabel II, o ministro da Governação, Florentino Rodríguez Vaamonde, a nomeara em 4 de abril de 1864 Visitadora de Prisões de Mulheres. Com este fim C. Arenal desloca-se à Crunha, onde vai conhecer pessoalmente a condessa de Espoz e Mina, Joana de Vega, que se tornará uma das suas melhores amigas e colaboradoras. Fruto dessa experiência pessoal são as suas conhecidas Cartas aos delinquentes (1865), onde aborda, entre outras, questões tão delicadas como a necessidade de reformar o Código Penal, aproximando-se neste sentido às iniciativas que os krausistas tinham empreendido. A publicação desta obra provocou o seu cessamento imediato. Em 1865 cria-se a Sociedade Abolicionista com o fim de terminar com a escravatura nas colónias espanholas. C. Arenal vai apresentar ao certame literário que se convoca o poema intitulado “Ode à escravatura”, que obtém o primeiro prémio. Depois da Revolução do 68 o governo provisório presidido por Serrano, a nomeia Inspetora de Casas de Correção de Mulheres, cargo que desempenha até 1873, embora tenha mostrado já um tempo antes uma certa desilusão pelas medidas empreendidas pelos representantes políticos, como pode apreciar-se na sua obra Exame das bases aprovadas pelas Cortes para a reforma das prisões (1869). Em 1870 funda La Voz de la Caridad, jornal que durante os seus catorze anos de existência foi plataforma para denunciar os abusos e imoralidades presentes tanto em hospícios como cárceres da época. A partir das suas páginas C. Arenal, que contava com a ajuda moral e económica da condessa de Espoz e Mina, de Fernando de Castro, Gertrudis Gómez de Avellaneda, Salustiano Olózoga, especialmente, impulsiona projetos como o chamado “Padroado dos dez” que, à imitação do levado a cabo na França, consistia em que dez famílias endinheiradas chegassem a um acordo entre elas para ajudar uma família sem recursos, ou a criação da Construtora Benéfica, cujo objetivo era edificar habitações para os operários. Labor benéfico que continua ao colaborar na recém-criada instituição da Cruz Vermelha. Em 1869 a duquesa de Medinaceli tinha estabelecido o ramo feminino da Cruz Vermelha e C. Arenal dedica-se com empenho à sua organização e trabalho. Dirigiu, pessoalmente, durante o transcurso da terceira guerra carlista, o Hospital de sangue de Miranda de Ebro, onde foram atendidos os soldados de ambos os bandos. Experiência que motivou a publicação dos seus Quadros de guerra (1880), onde a nota sentimental predomina na descrição das cenas de dor que ela mesma contemplou.

SEMPRE NA LUITA A FAVOR DA MULHER:

Durante os primeiros anos da Revolução do 68, C. Arenal colaborou em algumas iniciativas levadas a cabo pelos krausistas, que recuperam os seus postos depois do desterro obrigado a que os levou a sua defesa da liberdade de cátedra em 1864. Vai manter uma grande amizade com Francisco Giner de los Rios, Fernando de Castro e Gumersindo de Azcárate, especialmente. Desta forma vai fazer-se eco das famosas Conferências Dominicais para a Mulher, pronunciadas no paraninfo da Universidade Central de Madrid durante o ano letivo de 1869-70, atividade propiciada por Fernando de Castro, reitor nesse momento da instituição universitária ou da criação a iniciativa do próprio Castro da Associação para o Ensino da Mulher e a Escola de Precetoras em 1871. É o momento em que escolhe para publicar A mulher do porvir (1869), a sua primeira obra de carácter feminista – na realidade tinha sido redigida em 1861 – e a que vão seguir, anos mais tarde, trabalhos como A mulher na sua casa (1881), Estado atual da mulher em Espanha (1884) ou A educação da mulher (1892), obras em que C. Arenal se propõe não só dissipar os erros que sobre a mulher arraigaram na opinião da maior parte da sociedade, como também reivindicar a capacidade intelectual da mulher e o seu direito a receber uma educação que lhe permita desempenhar qualquer profissão em condições iguais às do homem.

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FRASES FAMOSAS DE C. ARENAL:

Conceição Arenal pronunciou ao longo da sua vida numerosas e célebres frases, cheias de senso comum, de dignidade e de sensibilidade. Entre elas, escolhemos as seguintes:

– As más leis vão encontrar sempre, e contribuir para formar, homens piores que elas, encarregados de executá-las.

Substituir o amor-próprio com o amor dos demais, é mudar um insofrível tirano por um bom amigo.

– Um homem isolado sente-se débil, e o é.

– Todas as cousas são impossíveis, enquanto o parecerem.

– As forças que se associam para o bem não se sumam, multiplicam-se.

– A caridade é um dever; a eleição da forma, um direito.

– O erro é uma arma que acaba sempre por disparar-se contra o que a emprega.

– Quando a culpa é de todas, a culpa não é de ninguém.

– Abri escolas e fechar-se-ão cárceres.

– A injustiça, sempre má, é horrível exercitada contra um infeliz.

– O amor vive mais do que dá que do que recebe.

– O amor é para a criança como o sol para as flores; não lhe basta pão: necessita de carícias para ser bom e para ser forte.

– Os grandes egoístas são o plantel dos grandes malvados.

– Não se perde o tempo que se emprega em procurar fazer o bem.

– A melhor homenagem que se pode tributar às pessoas boas é imitá-las.

– A lei é a consciência da humanidade.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos o filme e os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Conceição Arenal, a sua vida, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e o seu grande labor social a favor especialmente da mulher e da caridade. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra há de incluir também uma secção especial dedicada à luita a favor da mulher e da sua educação e alfabetização.

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Desenvolveremos um Livro-fórum em que participem todos os escolares e docentes. O livro mais adequado para ler é o intitulado A mulher do porvir e A educação na mulher. Também poderia valer a biografia editada pela Baia Pensamento, escrita pela galega África Beatriz López Souto.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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