Comunicado Associação de Docentes de Português na Galiza

SUBSTITUIÇÕES DE PORTUGUÊS NO SECUNDÁRIO



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É crescente a precariedade e nefasta gestão de parte da Conselharia de Educação no que diz respeito ao ensino de português no secundário. Para além de não se levarem à prática os mandados da Lei Paz Andrade, não se criam vagas, a possibilidade de o lecionar está sujeita à disponibilidade horária de professorado de outras matérias, e o que é pior e gratuíto: quando o professorado causa baixa, vai destinado a outro centro ou vai para a reforma, a vaga é ocupada por professorado substituto contratado, fora do quadro efetivo, sem formação, apesar de existir nas listas de substituição da especialidade de galego (normalmente quem leciona português associa-se a essa especialidade no secundário) pessoas que acreditam o conhecimento da língua portuguesa.

Dos múltiplos exemplos, o mais recente é o acontecido no IES Nossa Senhora dos Olhos Grandes de Lugo. Nesta escola, leciona-se português desde o ano 2000 e conta com departamento próprio. Por jubilação da professora do departamento no dia 30 de setembro, a vaga foi atribuída pela Conselharia de Educação a uma professora de língua galega sem formação em português; no entanto, havia professorado na lista de substituições da própria conselharia com conhecimento acreditado da língua.

Uma parte significativa do alunado afetado estuda 1º/2º de bacharelato e tenciona realizar a prova de português na ABAU (provas de acesso à universidade). Que probabilidade de sucesso é que vão ter, sabendo, aliás, que a qualificação dessa prova pondera 0,2 na qualificação geral da ABAU? Quem se responsabiliza das qualificações destas pessoas?

Salvo a destruição do trabalho feito e da própria presença da língua portuguesa no ensino secundário, não há outra justificação para essa forma de proceder da Conselharia de Educação.

Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG)

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  • Ernesto V. Souza

    Se é que a Xunta toma tão a sério o português… como o galego…

  • Ângelo Cristóvão

    A lei Paz-Andrade foi promovida e negociada como uma saída razoável a uma situação inaceitável que dura 3 décadas, e que provocou graves consequências para a comunidade linguística galega. Os promotores da Iniciativa Legislativa Popular, a título pessoal e como entidades associativas pusemos toda a boa vontade e toda a paciência no projeto. E nem assim. Os factos mostrados neste manifesto dos Docentes de Português servem como resposta a quem, neste e noutros espaços de debate, reclamam “diálogo” e “entendimento” ao Movimento Lusófono Galego. Como se nos coubesse a responsabilidade de desbloquear uma situação que não provocamos. O incumprimento de uma lei aprovada por unanimidade dos deputados do Parlamento, e que algumas pessoas com nomes e apelidos começaram a boicotar no dia seguinte, é a prova da vontade de diálogo do isolacionismo institucionalizado. O governo do Partido Popular tem uma grande parte da responsabilidade, mas não toda.