AS AULAS NO CINEMA

CAMÕES E A IMPORTÂNCIA DA LUSOFONIA

(Uma longa-metragem e vários documentários)



 

O dia 10 de junho é o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Lusófonas, que é muito importante celebrar em todos os estabelecimentos de ensino, com atividades educativas adequadas, para sensibilizar os escolares de todos os níveis do ensino da Galiza, sobre o valor que tem integrar a Nossa Terra na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), na qual graças à AGLP estamos já de observadores. Dentro da série que estou a dedicar a grandes vultos da humanidade, que iniciei com Sócrates no seu dia, e que devem conhecer os estudantes, acho que Luís Vaz de Camões (cujos antepassados eram de Camos, Nigram), merece ocupar um lugar na série, e ademais é a personalidade idónea para apoiar a comemoração antes citada. Com ele cumpro o nº 51 da série de grandes vultos da humanidade.

250px-luis_de_camoes_por_francois_gerardLuís de Camões (1524-1580) foi um poeta e soldado português, considerado o maior escritor do período do Classicismo. Além disso, ele é apontado como um dos maiores representantes da literatura mundial. Autor do poema épico Os Lusíadas, revelou grande sensibilidade para escrever sobre os dramas humanos, sejam amorosos ou existenciais. Pouco se sabe da sua vida, portanto, o local e os anos de nascimento e morte ainda são incertos. Filho de Simão Vaz e Ana de Sá, Luís Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1524. Provavelmente teve uma boa e sólida educação, na qual aprendeu sobre história, línguas e literatura. Estudos indicam que ele era indisciplinado e que supostamente teria ido a Coimbra para estudar. No entanto, não há registros de que ele tenha sido aluno da Universidade. Ainda jovem, interessou-se pela literatura iniciando a sua carreira literária como um poeta lírico na corte de Dom João III. Muitos historiadores dizem que nesse período Camões teve uma vida muito boémia. Na altura, também passou por uma desilusão amorosa, momento em que decidiu tornar-se um soldado.

Assim, ingressou no Exército da Coroa Portuguesa em 1547 e, no mesmo ano, embarcou como soldado para a África, onde combateu na guerra contra os celtas, no Marrocos. Foi ali que Camões perdeu o olho direito. Em 1552 volta a Lisboa e continua com sua vida boémia e de promiscuidade. No ano seguinte embarca para as Índias, onde participa de várias expedições militares. Estudos apontam que ele foi preso tanto em Portugal, quando no Oriente. Foi durante uma de suas prisões que ele escreveu a sua obra mais conhecida: Os Lusíadas, que citámos antes, e a sua mais importante. Quando retornou a Portugal, resolveu publicar a sua obra. No momento, recebeu uma pequena quantia em dinheiro do Rei Dom Sebastião. Muitas vezes incompreendido pela sociedade, Camões queixou-se pelo pouco reconhecimento que teve em vida. Foi somente após a sua morte que a sua obra passou a ser foco das atenções. Hoje é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa e ainda, um dos maiores representantes da literatura mundial. O seu nome é conhecido em todo o mundo e é usado em diversas praças, avenidas, ruas e instituições. Camões faleceu no dia 10 de junho de 1580 em Lisboa, provavelmente vítima de peste. No final da sua vida, passou por grandes problemas financeiros morrendo pobre e infeliz, uma vez que não teve o reconhecimento que merecia. O Dia de Portugal é celebrado em 10 de junho em comemoração à data de sua morte.

UM LITERATO EXCECIONAL DA NOSSA LÍNGUA:

Camões escreveu poesias, epopeias e obras de dramaturgia. Foi assim que se tornou um poeta múltiplo, sofisticado e ao mesmo tempo, popular. Decerto que ele possuía grande habilidade poética na qual soube explorar com muita criatividade as mais diferentes formas de composição. Foi um dos maiores poetas do Renascimento, mas às vezes inspirou-se em canções ou trovas populares escrevendo poesias que lembram várias canções medievais. Os seus versos revelam que estudou os clássicos da Antiguidade e os humanistas italianos. As suas obras de maior destaque são: El-Rei Seleuco (1545), peça de teatro; Filodemo (1556), comédia de moralidade; Os Lusíadas (1572), grande poema épico; Anfitriões (1587), comédia escrita em forma de auto; e Rimas (1595), coletânea da sua obra lírica. No entanto, a obra pela que é mais conhecido e admirado, é Os Lusíadas. A poesia épica desta obra, publicada em 1572, celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. Destacam-se as conquistas ultramarinas, as viagens por mares desconhecidos, a descoberta de novas terras, o encontro com povos e costumes diferentes. Tomando como assunto central a viagem de Vasco da Gama às Índias, Camões fez do navegador uma espécie de símbolo da coletividade lusitana. Ele exaltou a glória das novas conquistas e as proezas dos navegadores portugueses. Isso permitiu comparar os feitos dos portugueses com as façanhas dos lendários heróis dos poemas de Homero (Ilíada e Odisseia) e de Virgílio (Eneida). Camões usou os modelos clássicos para cantar os acontecimentos do seu tempo, que ao contrário dos antigos, eram reais e não fictícios. Camões faz algumas entidades mitológicas participarem da ação. Assim, coube a Vénus o papel de protetora dos portugueses. Ela defende-os do deus Baco que quer destruir a frota de Vasco da Gama. No final do poema, os navegantes são levados à ilha dos Amores, onde são recompensados dos seus esforços por sedutoras ninfas. É curiosa a história que existe sobre que Camões sofreu um naufrágio perto de Goa na Índia, e diz a lenda que ele nadou salvando o manuscrito de Os Lusíadas na mão.

FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES:

A. Longa-metragem: Título: Camões.

Diretor: José Leitão de Barros (Portugal, 1946, 118 min., preto e branco).

Roteiro: Afonso Lopes Vieira e José Leitão de Barros.

Fotografia: Francesco Izzarelli e Manuel Luís Vieira. Música: Ruy Coelho.

Produção: António Lopes Ribeiro. Edição: Vieira de Sousa.

Atores: António Vilar (Luís de Camões); José Amaro (Dom Manuel de Portugal, comendador de Vimioso); Igrejas Caeiro (André Falcão de Resende); Paiva Raposo (Pero de Andrade Caminha); Leonor Maia (Leonor); Idalina Guimarães (Inês); Vasco Santana (Mal-Cozinhado); Eunice Munhoz (Beatriz da Silva); Carmen Dolores (Catarina de Ataíde); João Villaret (Dom João III de Portugal); Dina Salazar (Burguesa de Coimbra); Manuel Lereno, Carlos Moutinho, Júlio Pereira e Eduardo Machado (os 4, amigos de Caminha); Virgínia de Vilhena (Luisa); José Vítor (Frei Bartolomeu Ferreira); Maria Manuela Fernandes (Dinamene) e Armando Martins (D. Sebastião, Rei de Portugal).

Argumento: Uma grande obra, um grande fresco cinematográfico que honra não só o cinema nacional como constitui padrão da sensibilidade portuguesa, marco da sua epopeia, tapeçaria movediça da sua glória, e ainda que se não ganhou em Cannes o prémio que merecia, apesar das palmas que interromperam a sua exibição, foi apenas porque nesse concurso e nesse momento, o nacionalismo elevado, puro, não estava na moda.

B. Documentários:

1. Luís de Camões: Grandes Portugueses.

Vídeo da RTP 1. Duração: 49 min.

2. Camões e sua obra: Os Lusiadas.

Vídeo de Arildo Carvalho (trabalho acadêmico). Duração: 9 min.

3. Luís de Camões em Ceuta.

Vídeo de Sapo vídeos. Duração: 6 min.

DÚVIDAS NA BIOGRAFIA DE CAMÕES:

Na data do Dia de Portugal e das Comunidades Lusófonas fomos à procura de Camões, e descobrimos que, na verdade, não sabemos nada da sua vida, a não ser que escreveu Os Lusíadas e recebeu uma tença do rei. O resto é especulação e lenda. A história de Luís de Camões tem mais dúvidas que respostas, numa altura em que os registos eram pouco regulares. Nesta nossa importante comemoração temos que recordar os grandes empreendimentos marítimos dos Descobrimentos, de enaltecer o amor de Pedro e Inês, de sublinhar a ambição de D. Afonso Henriques ou de mostrar orgulho na língua e da Lusofonia. Por isto, é dia também das Comunidades Portuguesas. É dia de lembrarmos os tempos do Império e de olhar para aqueles que abandonaram o país em busca da mesma sorte que os antepassados. Mas convém lembrar que coincide tal data com que se passam também 438 anos da morte de um dos maiores poetas lusófonos: Luís Vaz de Camões, um nome incontornável da cultura portuguesa e uma personagem cujo trabalho tem tanto de atualidade como de misticismo. Porém, é necessário ir à história em busca do percurso de Camões. Trouxe sobretudo dúvidas sobre a sua vida. Diz-se que terá nascido em Chaves. Diz-se que terá vindo ao mundo em 1524. Diz-se que a bagagem cultural de que era dotado foi absorvida em Coimbra. E diz-se (apenas se diz) muito mais sobre este poeta, porque certezas há poucas. Na verdade, não sabemos onde nasceu, se alguma vez esteve em Coimbra, se frequentou a corte, e por aí adiante. Não há documentos, não há registos, há quase não há nada, absolutamente nada. O que há são quase só restos de especulações sem outro fundamento a não ser a imaginação de quem primeiro as criou. A história de Luís Vaz de Camões confunde-se com as memórias de um Portugal em expansão. Mas está pendurada com muitos pontos de interrogação. Ainda assim, há datas que vale a pena serem realçadas: explore a linha do tempo do que habitualmente se conta sobre a vida daquele que é considerado o maior poeta português de todos os tempos.

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Luís Vaz de Camões terá nascido em 1524, embora a data não seja certa. O local também não é conhecido: o poeta poderá ter nascido em Chaves ou Lisboa e também há dados que apontam para Santarém ou Alenquer. Filho de Simão Vaz de Camões e Anna de Sá e Macedo, o poeta português pode ser neto do trovador galego Vasco Pires de Camões.

OBRAS DESTACADAS DO NOSSO LITERATO:

Uma listagem das obras escritas por Camões inclui a seguinte lista de livros: Lírica e épica: 1572 – Os Lusíadas; 1595 – Rimas; 1595 – Amor é fogo que arde sem se ver;1595 – Eu cantarei o amor tão docemente; 1595 – Verdes são os campos; 1595 – Que me quereis, perpétuas saudades?; 1595 – Sôbolos rios que vão; 1595 – Transforma-se o amador na cousa amada;   1595 – Sete anos de pastor Jacob servia; 1595 – Alma minha gentil, que te partiste; 1595 – Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e 1595 – Quem diz que Amor é falso ou enganoso. Em Teatro (comédias): 1587 – El-Rei Seleuco; 1587 – Auto de Filodemo, e 1587 – Anfitriões.

ALGUNS DE SEUS LINDOS POEMAS:

1. Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.

2. Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

3. Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n’alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.

4. Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,

está no pensamento como ideia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.

5. Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

6. Quem vê, Senhora, claro e manifesto
O lindo ser de vossos olhos belos,
Se não perder a vista só em vê-los,
Já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
Mas eu, por de vantagem merecê-los,
Dei mais a vida e alma por querê-los,
Donde já não me fica mais de resto.

Assim que a vida e alma e esperança,
E tudo quanto tenho, tudo é vosso,
E o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança
O dar-vos quanto tenho e quanto posso,
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo.

7. Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,
sem falta lhe terá bem merecido
que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce e é piadoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
seja por cego e apaixonado tido,
e aos homens, e inda aos deuses, odioso.

Se males faz Amor, em mi se veem;
em mi mostrando todo o seu rigor,
ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de amor;
todos estes seus males são um bem,
que eu por todo outro bem não trocaria.

O LINDÍSSIMO POEMA “Verdes são os campos”, que cantou maravilhosamente o Zeca Afonso:

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

A NOSSA LÍNGUA TEM UM ACORDO ORTOGRÁFICO:

Há um certo tempo, dentro de uma data histórica, que foi aprovado o acordo ortográfico para a nossa língua comum e internacional, dentro do nosso mundo lusófono. A que por língua e cultura também pertence Galiza. Na Assembleia da República de Portugal, em Lisboa, teve lugar uma Conferência Internacional sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com participação de representantes dos diferentes países que no mundo têm como oficial a nossa língua. Pela primeira vez, de maneira oficial, os portugueses convidaram a participar os membros da direção da entidade reintegracionista galega AGAL. A qual, com verdadeiro altruísmo, abriu a representação a outras entidades, como a Associação Cultural Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa, constituída no seu dia, a Associação de Amizade Galiza-Portugal, o Movimento Defesa da Língua e a ASPGP, criada no ano 1978 e presidida por quem subscreve este artigo. Entre outros ali estiveram Alexandre Banhos e Isaac Estraviz, presidente e vice-presidente, respetivamente naquela altura, da Associaçom Galega da Língua. Também Ângelo Cristóvão, secretário atual da AGLP, Xavier Vilhar Trilho, José-Martinho Montero Santalha, Margarida Martins, Concha Roussia e Manuela Ribeira, tristemente desaparecida há uns meses. Banhos e Cristóvão apresentaram cadanseu relatório sobre a importância que tinha a presença da Galiza, berço da lusofonia, na conferência, comunicando a adesão de todas as entidades reintegracionistas ao futuro acordo ortográfico. Que se esperava fosse aprovado no parlamento português naquele mês de Maio e para o qual se organizou aquela conferência preparatória. Agora mesmo estamos, portanto, num momento histórico para a nossa língua, que daqui a pouco há de ser também de uso habitual na ONU. A hispanofonia tem desde há muito tempo uma norma comum para a escrita do castelhano, embora os falares sejam diferentes em cada lugar. As diferentes academias do castelhano que há no mundo são um verdadeiro exemplo do que deve fazer-se para a promoção e sobrevivência dum idioma. Em poucos anos o castelhano há de superar mesmo o inglês. O galego-português, outra língua muito importante, presente em todos os continentes, necessitava “como de pão para a boca” de um acordo ortográfico. Depois de muitos anos parece que Portugal dá um passo em frente somando-se a este acordo. Com polémica e debate, também necessários.
A primeira pedra para este acordo já se colocou no Encontro do Rio de Janeiro, celebrado de 6 a 12 de Maio de 1986 na Academia Brasileira de Letras, que presidia Antônio Houaiss. Naquela altura já estivera presente no encontro de unificação ortográfica para a lusofonia Isaac Estraviz, entre outros galegos. Quem subscreve fazia parte da comissão galega para trabalhar pela integração do idioma galego no acordo. Os galegos fomos os primeiros, e quase os únicos, em publicar com a ortografia do chamado Acordo do Rio. Quatro anos mais tarde, esta vez em Lisboa, na Academia das Ciências, presidida por Jacinto Nunes, de 6 a 12 de outubro de 1990, houve outro encontro com presença de uma delegação galega. Pode que o edifício iniciado no Rio se termine de construir agora com o apoio do parlamento português. Para efetivar este acordo há uma moratória de seis anos. Entre outras cousas, este acordo ortográfico para toda a lusofonia, representa a desaparição dos grupos cultos ct, cc e pt, como no português do Brasil. Também a simplificação do acento, a desaparição de c e p nas palavras em que estes fonemas não são pronunciados, e do hífen e o acento circunflexo em bastantes palavras. Ao incorporar k, w e y, o alfabeto passa de 23 a 26 letras.
Mas o que a nós nos preocupa é o que está fazer o governinho galego e a Academia corunhesa da rua das Tabernas. Até hoje infelizmente de costas viradas a toda a lusofonia. Continuando ademais com aquele antidemocrático decreto normativo do ano 1983. Data desde a qual, como vem assinalou acertadamente no seu dia o escritor Caneiro, a política linguística seguida foi todo um erro e um horror na Nossa Terra. Acrescentamos nós que Galiza ou é lusófona ou não é nada. Tal como também pensava Carvalho Calero e Diaz Pardo e o empresário Adolfo Domínguez. Galiza tem que fazer parte da lusofonia por direito próprio e por bem do futuro da nossa formosa língua. E um dos melhores escritores do mundo lusófono foi sem dúvida Camões, ademais de outros muitos da Galiza, de Goa, de Portugal, do Brasil, de Angola ou de Moçambique e Cabo Verde.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos a longa-metragem e documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Camões, a sua vida, a sua obra, os seus livros, a sua poesia e o seu profundo valor para o mundo da Lusofonia e para a língua e cultura galego-portuguesa. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar um Livro-fórum, lendo todos, estudantes e docentes, a obra Os Lusíadas, tendo ademais em conta que galegos e galegas não necessitamos de ler as notas a rodapé para compreender muitas das frases, versos e palavras desta obra. Também podemos organizar uma audição musical de poemas camonianos cantados maravilhosamente por José Afonso.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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