BADEN-POWELL, O CRIADOR DO MOVIMENTO ESCOTEIRO

(Vários Documentários)



O dia 12 de julho celebra-se o “Dia Internacional da Juventude”, e o 9 o “Dia Internacional dos Povos Indígenas”. Dentro da série que estou a dedicar a grandes vultos da humanidade, para que os conheçam todos os escolares, acho que Baden-Powell é o mais indicado para comemorar estas jornadas internacionais. O depoimento que a ele dedico faz o nº 60 da série que iniciei com Sócrates.

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De nome completo Robert S. Smyth Baden-Powell, nasceu a 22 de fevereiro de 1857 em Londres, e faleceu em Nairobi (Quénia) o dia 8 de janeiro de 1941. Foi o fundador do escotismo (os “Boy Scouts”). Chegou a ser um herói nacional pelo seu labor na defesa militar de Mafekling, na África do Sul, durante a guerra contra os “Boers”, entre 1899 e 1902. A sua vida desenvolve-se em duas fases claramente diferenciadas. Durante a primeira, sendo oficial do exército vitoriano, percorre como profissional várias colónias (Índia e África do Sul, entre elas). Um temperamento explorador (“scout”) e aventureiro, embora também organizado, faz que mereça importantes distinções.

Duma perspetiva pedagógica esta etapa o leva a uma dupla descoberta:

1. A natureza é portadora de inesgotáveis recursos, não só como quadro onde se podem desenvolver atividades educativas, como também como método natural de educação moral.

2. A possibilidade de aproveitar educativamente os dinamismos naturais que oferecem as crianças e adolescentes organizados em grupo quando se lhes encomenda determinadas tarefas.

O segundo período inicia-se em 1909 com a publicação de Scouting for boys (Explorando para rapazes). O abandono da sua profissão militar em 1910, vai-lhe permitir uma dedicação absoluta e exclusiva ao escotismo até a sua morte. Cria e difunde o escotismo nas suas ponlas masculina e feminina, escreve uma dúzia de livros sobre pedagogia “scout”, viaja por todo o mundo expandindo e vitalizando o movimento “scout”, preside aos “jamborees” – encontros mundiais que celebram os “scouts” (exploradores) cada quatro anos –, anima a preparação de educadores “scouts”, etc.

Entre os seus colaboradores mais diretos temos que mencionar a sua irmã Agnes e a sua esposa Lady Olave St. Clair Baden-Powell. Recolhendo as ideias da “educação nova” e coincidindo com muitos dos seus pedagogos, descobre especificamente que o jogo enriquecido é um agente educativo básico e um elemento dinamizador central nos métodos empregados no escotismo.

PEQUENA BIOGRAFIA:

Por considerá-la muito acertada resenho a seguir uma pequena biografia de Baden-Powell da autoria do brasileiro Caio Dias, um dos maiores especialistas e seguidores do movimento escoteiro no Brasil.

Robert Stephenson Smyth Baden-Powell nasceu em Londres, na Inglaterra em 22 de Fevereiro de 1857. Seu pai reverendo H. G. Baden-Powell, era professor em Oxford. Sua mãe Henrietta Grace Powell era filha do almirante W. Smyth. Seu bisavó Joseph Brewer Smyth tinha ido colonizar os Estados Unidos. Quando Robert ainda tinha 3 anos de idade seu pai faleceu deixando sua mãe com sete filhos. Com frequência haviam momentos difíceis pelo fato de ser uma família tão grande, mas como o próprio B. P. enfatizava “Dificuldades são feitas para serem superadas.” E assim a família continuou em frente.

Em 1870 entrou na escola Charterhouse em Londres, com uma bolsa de estudos. Não era o aluno mais exemplar, mas era um dos mais vivos. Estava sempre metido em tudo que ocorria no pátio, e acabou se tornando famoso por ser o goleiro da equipa de futebol de Charterhouse. Seus amigos gostavam muito de suas habilidades de ator, sempre que pediam Robert improvisava e fazia todos morrerem de rir. Mas não tinha vocação somente nas artes cênicas, como também tinha em música e desenho o que lhe mais tarde permitiu ilustrar suas obras.

Aos 19 anos de idade aceitou a oportunidade de ir para à Índia como subtenente do regimento que formava a cavalaria da Guerra da Crimeia. Além de sua excelente carreira militar, recebeu o troféu mais desejado na Índia, o troféu “Sangrar o porco”, era uma caça ao javali selvagem a cavalo, e como única arma uma lança curta”. Esse era um dos desportos mais perigosos da Índia, pois o javali selvagem é habitualmente citado como “o único animal que se atreve a beber água no mesmo lago com um tigre”.

Em 1887 participou da campanha contra os Zulus na África onde foi promovido a major, mais tarde também lutou contra as ferozes tribos dos Ashantis e os selvagens guerreiros Matabeles. Os nativos temiam tanto Baden-Powell que lhe deram o nome de “Impisa”, o lobo que nunca dorme, por sua coragem e sua incrível habilidade de seguir pistas.

Chegou o ano de 1899 que teve grande importância na vida de Robert, quando foi promovido a Coronel. Foi designado para a guerra dos boers na África do Sul, onde acontece o cerco de Mafeking. Foi no cerco de Mafeking que B. P. recebe seu renome de herói de guerra. Mafeking era uma cidadezinha localizada na África do Sul, que se projetou para o mundo quando se tornou cenário do conflito entre os boers e os britânicos. A cidade foi cercada pelos boers de 11 de outubro de 1899 a 16 de maio de 1900, durante duzentos e dezessete dias no total. A população da cidade era de 9300 habitantes. Havia 1214 oficiais e praças ao lado dos britânicos e 6000 ao lado dos boers. Um fato de grande importância que ajudou Baden-Powell a acabar com o cerco de Mafeking foi a utilização dos jovens em trabalhos auxiliares.

Foi promovido a major-general e visto como herói por seus compatriotas. Em 1901 retornou a Inglaterra a ficou surpreso com o sucesso de seu livro que escreveu para militares: Aids to Scouting (Ajudas à Exploração Militar). O livro estava sendo usado nas escolas masculinas, B. P. viu isso como um desafio, e começou a se dedicar em um novo livro, aproveitando e adaptando sua experiência na Índia e na África entre os Zulus e outras tribos selvagens. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes. Querendo esta ser de que sua ideia poderia ser posta em pratica, no final de julho de 1907 Baden-Powell foi à ilha de Brownsea com 20 rapazes, e realizou o primeiro acampamento escoteiro. O acampamento teve o maior sucesso.

Nos primeiros meses de 1908 lançou seis fascículos do seu manual de adestramento, o Escotismo para Rapazes. Robert não tinha ideia de como o guia afetaria os jovens do mundo inteiro. O guia mal foi posto nas livrarias e já surgiram patrulhas e tropas escoteiras não só na Inglaterra mais em outros países também. Então em 1910 B. P. compreendeu que o Escotismo seria sua nova vida. Pediu demissão do Exército onde havia chegado a tenente-general e ingressou na sua “segunda vida”, como costumava chamá-la, sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo.

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Em 1912 fez uma viagem ao redor do mundo para contatar escoteiros de muitos outros países, assim o Escotismo foi dando os primeiros passos para uma fraternidade mundial. O movimento continuou a crescer, quando o Escotismo completou 21 anos já estava com mais 2 milhões de integrantes. Nesta ocasião Baden-Powell recebeu do rei Jorge V a Honra de ser elevado a barão, sob o nome de Lord Baden-Powell of Gilwell. Mas apesar deste título, para todos os escoteiros ele continuou e continuará sempre sendo B-P, o Escoteiro-Chefe-Mundial.

Depois de completar 80 anos, regressou a África com sua esposa, Lady Baden-Powell que era a Chefe Mundial das “Girls Guides” (bandeirantes). Fixaram sua residência no Quênia onde as florestas tinham quilômetros de extensão e no horizonte montanhas com picos cobertos de gelo. E é no Quênia que B. P. morre faltando pouco mais de um mês para fazer 84 anos de idade, o dia 8 de janeiro de 1941.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS:

1. Baden-Powell. Escotismo.

Duração: 9 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=aMQ-QROpmqc

2. A última mensagem de Baden-Powell.

Duração: 2 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=Fdvee0KKnDw

3. Acampamento grupo de escoteiros. (Brasil, ano 2012).

Duração: 6 minutos. Fotografia a cores.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=OjIng-tVW8U

4. Seja um escoteiro.

Duração: 4 minutos. Brasil, ano 2011.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=7ivah7J9vrw

5. O início do escotismo e seu fundador Robert Baden-Powell.

Duração: 62 minutos.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=H2HiUJnZVow

6. Vida e obra de Baden-Powell (História do Escotismo).

Duração: 47 minutos (a cores). Diretor: Felipe Brito.

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=zTf898xJGQ8

7. A história de Baden-Powell.

Duração: 16 minutos (a cores).

Ver em: https://www.youtube.com/watch?v=w1WquPBPEbQ

O VALOR EDUCATIVO DO ESCOTISMO:

O escotismo foi um movimento juvenil educativo e de tempo de lazer fundado por Baden-Powell a princípios do século XX. No seu nascimento há que ter presentes ao menos três fatores: a implantação das ideias pedagógicas da Escola Nova, a situação social da Inglaterra depois de consolidada a revolução industrial e uma personalidade de alto nível educativo como Robert Baden-Powell.

A sua expansão é rápida e hoje calculam-se uns 15 milhões de escoteiros (“scouts”) repartidos em mais de 120 países dos cinco continentes, tendo sabido adaptar-se a diferentes meios e culturas, e procurando a paz e a educação internacionais. O organismo reitor no escotismo mundial é o “World Scout Bureau”. Centros permanentes de acolhida internacional são Gilwell (Inglaterra) e Kandersteg (Suíça). Funcionam independentes os ramos masculino (escoteiros, “scouts”) e femenino (“guias”), embora, nas associações de escoteiros de países como França, Espanha e outros tenha sido introduzida a coeducação.

O escotismo adapta-se ao ritmo e sociedade em que vive, embora mantenha umas constantes que atraem crianças e adolescentes de todo o mundo: apoia-se no próprio dinamismo infantil, oferece às crianças um espaço de liberdade e criatividade, permite-lhes viver ao seu nível a experiência de uma pequena sociedade e desenvolve o desejo natural de ser útil a alguém ou algo. Pressupostos mínimos do escotismo são: a relação educativa que se estabelece entre o grupo de educadores adultos e a criança ou adolescente; aproximação ao momento evolutivo que vive a criança; considerar a criança como o principal ator do seu desenvolvimento; ter-se mantido fiel a uma rica tradição de pedagogia ativa.

O instrumento básico da pedagogia escoteira é o jogo. Considera-se o escotismo como esse grande jogo permanente que favorece o desenvolvimento integral da criança: o carácter, ou o que hoje chamamos personalidade. Por meio da habilidade manual fomenta a criatividade, a saúde e o desenvolvimento corporal, o serviço aos outros, a descoberta da própria existência.

O método escoteiro é progressivo e tem presente a evolução da criança. Daí a existência de ramos e o passo previsto de um a outro: lobinho ou lobito (8 a 11 anos), escoteiro ou explorador (12 a 14 anos), pioneiros (14 a 16 anos), sênior ou caminheiros (17 em adiante). O núcleo educativo base é o grupo, que vai adquirir diversos nomes: matilha ou bando, patrulha, equipa, etc. Este método educativo estrutura-se a partir do jogo social espontâneo, a última fase da evolução lúdica infantil. Os componentes do jogo de regras, segundo Piaget – ação, imaginação, associação, distribuição de papéis, organização, regras – recolhem-se no jogo escoteiro. A ação desenvolve-se no escotismo por meio dos centros de interesse adaptados a cada idade. Por isso, encontramo-nos com o safari, a aventura, a empresa, o “raid”, etc.

A lei escoteira nasce como proposta de valores que a criança assume enquanto regras de jogo. Não é disciplina imposta, mas algo que atrai e por isso se cumpre. Todo o jogo tem lugar num espaço, um quadro. No escotismo esse lugar privilegiado é a natureza – saídas ao campo, acampamentos, roteiros, etc. – embora, também o é o “local”, um território. Hoje pode considerar-se o escotismo como uma contribuição de primeira ordem na pedagogia do tempo de lazer para crianças e adolescentes.

IDEIA E ORIGEM DO ESCOTISMO:

Baden-Powell pôs-se a trabalhar, aproveitando e adaptando sua experiência na Índia e na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África. Reuniu uma biblioteca especial e estudou nestes livros os métodos usados em todas as épocas para a educação e o adestramento dos rapazes, desde jovens espartanos, os antigos bretões, os peles-vermelhas, até os nossos dias. Lenta e cuidadosamente, foi desenvolvendo a ideia do escotismo. Queria estar certo de que a ideia podia ser posta em prática, e por isso, no verão de 1907 foi com um grupo de 20 rapazes separados por 4 patrulhas (Maçarico, Corvo, Lobo, Touro) para a Ilha de Brownsea, no Canal da Mancha, para realizar o primeiro acampamento escoteiro que o mundo presenciou. O acampamento teve um completo êxito. Nos primeiros meses de 1908, lançou em seis fascículos quinzenais o seu manual de adestramento, o Escotismo para Rapazes sem sequer sonhar que este livro iria por em ação um movimento que afetaria a juventude do mundo inteiro. Mal tinha começado a aparecer nas livrarias e nas bancas de jornais e já surgiram patrulhas e escotistas não apenas na Inglaterra, mas em muitos outros países. O movimento cresceu tanto que em 1910, Baden compreendeu que o Escotismo seria a obra a que dedicaria a sua vida. Teve a visão e a fé de reconhecer que podia fazer mais pelo seu país adestrando a nova geração para a boa cidadania do que preparando meia-dúzia de homens para uma possível futura guerra. Pediu então demissão do Exército onde havia chegado a tenente-general e ingressou na sua “segunda vida”, como costumava chamá-la, sua vida de serviço ao mundo por meio do Escotismo. Em 1912, fez uma viagem à volta do mundo para contatar os escoteiros de muitos outros países. Foi este o primeiro passo para fazer do Escotismo uma fraternidade mundial.

Quando as forças de Baden-Powell afinal começaram a declinar, depois de completar 80 anos de idade, regressou à sua amada África com a sua esposa, Lady Olave Baden-Powell, que fora uma entusiástica colaboradora em todos os seus esforços, e que era a Chefe-Mundial das “Girl Guides” (Guias), movimento também iniciado por Baden-Powell.

Olave St. Clair Soames nasceu na Inglaterra. Seus pais Harold Soames e Katharine Hill tinham já um casal de filhos. Olave gostava muito de animais, de caminhar ao ar livre, de música e desportos. Mas foi a bordo de um navio pelo Atlântico que a vida da jovem Olave Soames mudou radicalmente e entrou para a história bandeirante. Em janeiro de 1912, Olave e seu pai embarcaram no navio “Arcadian”, para um cruzeiro turístico, no qual também estava a bordo, o famoso herói de guerra e fundador do Escotismo chamado Robert Baden-Powell. Ali conheceu Baden e também a Chefa americana Juliette Low, velha amiga dele, que fundara a Associação de Girl Scouts nos EUA. O namoro entre os dois iniciou-se naquele cruzeiro de 20 dias e no qual eles puderam se conhecer, descobrir muitas coisas em comum, inclusive que, seus aniversario caiam no mesmo dia, 22 de fevereiro. Na época Powell tinha 55 anos e Olave, 23 anos. Em outubro daquele mesmo ano, Powell e Olave casam em uma cerimônia simples na igreja de São Pedro, em Londres. Desde então Olave passou a ser reconhecida pelo nome de Lady Olave Baden-Powell.

Fixaram residência no Quênia, num lugar tranquilo e com um panorama maravilhoso: florestas de quilômetros de extensão tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve. Onde morreu Baden-Powell, em 8 de Janeiro de 1941, faltando um pouco mais de um mês para completar 84 anos de idade. Encontra-se sepultado na Saint Peter’s Churchyard, Nyeri, no Quénia.

 

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AS SUAS PALAVRAS EM DUAS CARTAS:

São muito lindas as cartas que Baden-Powell escreveu aos monitores das patrulhas escoteiras e a sua carta de despedida. Resenhamos a seguir os textos das mesmas:

1. Carta aos guias de patrulha ou monitores:

“Quero que vocês, guias de patrulha, entrem em ação e adestrem as vossas Patrulhas inteiramente sozinhos e ao vosso jeito porque, para vocês, é perfeitamente possível pegar em cada rapaz da Patrulha e fazer dele um bom camarada, um verdadeiro Homem. De nada vale ter um ou dois rapazes admiráveis e o resto não prestar para nada. Vocês devem fazer deles inteiramente bons.

Para conseguir isso, a coisa mais importante é o próprio exemplo, porque, o que vocês fizerem, os vossos Escoteiros farão.

Mostrem a todos eles que vocês sabem obedecer às ordens dadas, sejam elas ordens verbais, ou sejam regras que estejam escritas ou impressas; e que vocês cumprem as ordens, esteja ou não o Chefe escoteiro presente. Mostrem que conseguem conquistar distintivos de Especialidades e, com um pouco de persuasão, os vossos rapazes seguirão o vosso exemplo.

Mas, lembrem-se que vocês devem guiá-los, e não empurrá-los.

Baden-Powell of Gilwell.”

2. Carta de despedida:

baden-powell-foto-1“Escoteiros: Se vocês tiverem visto a peça “Peter Pan”, deverão estar lembrados de que o chefe-pirata estava sempre fazendo o seu “discurso de moribundo”, porque receava que, possivelmente, quando chegasse a hora de ele morrer, não tivesse mais tempo para dizer tais coisas.

Acontece quase a mesma coisa comigo e, assim, e embora neste momento eu não esteja morrendo – qualquer dia destes eu morrerei –, quero enviar a vocês uma palavra de despedida. Lembrem-se de que será a última vez que vocês ouvirão minhas palavras. Portanto, pensem bem nelas. Eu tenho tido uma vida muito feliz e quero que cada um de vocês também tenha uma vida feliz. Acredito que Deus nos colocou neste mundo alegre para que sejamos felizes e para aproveitarmos a vida. A felicidade não provém do fato de ser rico, nem meramente de ter sido bem sucedido na carreira; e, tampouco, de sermos indulgentes para com nós mesmos. Um passo na direção da felicidade é o de tornar-se saudável e forte enquanto se ainda é jovem, de sorte que possa vir a ser útil e aproveitar a vida quando for homem.

O estudo da natureza mostrará a vocês quão repleto de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para vocês aproveitarem. Alegrem-se com o que receberam e façam bom proveito disso. Olhem para o lado bom das coisas, ao invés do lado ruim delas. Contudo, a melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade a outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar a vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas fizeram o melhor que puderam. Estejam preparados, desta maneira, para viverem e morrerem felizes, sempre fiéis à Promessa Escutista, até mesmo depois que deixarem de ser jovens – e que Deus os ajude a cumpri-la. Vosso amigo, Baden-Powell.”

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

9brs-baden-powell-scoutingVemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Robert Baden-Powell, a sua vida, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento pedagógico, a sua criação do movimento escoteiro (e a sua difusão por todo o mundo) e as suas publicações. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra há de incluir também uma secção especial dedicada ao funcionamento de grupos escoteiros em diferentes países do mundo.

Desenvolveremos um Livro-fórum em que participem todos os escolares e docentes. O livro da sua autoria mais adequado para ler é o intitulado Escotismo para rapazes, editado pela primeira vez em 1908. E ainda seria mais interessante organizar com os estudantes da nossa escola um acampamento, seguindo o modelo de atividades lúdicas e de descoberta da natureza que realizava Baden nos seus. Também podemos organizar com os nossos escolares ao longo do ano diversos roteiros pela natureza próxima à nossa escola e por parques naturais galegos e da nossa área.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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