Todos os artigos de Maria Dovigo

  • Encontro de mulheres da lusofonia

    “Se as mulheres falassem não haveria heróis”. Esta frase que a minha mãe repetia com alguma frequência tem-me feito pensar sobre as narrativas, os silêncios e os conceitos que organizam a nossa vida coletiva. Dizia a filósofa Hannah Arendt que os regimes totalitários têm em comum a criação de uma ficção à volta de uma […]

  • Saudade e lares viais

      “… e sempre excede a vida” Polissemia é voz grega da que muito gosto. Tenho prazer em observar o dinamismo do significado, a extensão, a redução, a transferência, e outros fenómenos que observa a semântica. Como no verbo criador de Cícero, o desvio do arado a sair do sulco, imagem da palavra para a […]

  • Devalar

    “Ai de mim, onde irei apanhar, quando o inverno vier, as flores”. Hölderlin, “Metade da vida” Pelo São Miguel. No momento em que começo estas notas um trem me leva ao sul. Ao meu lado um grupo de homens joga à carta. Um deles lança as cartas sobre a mesa com tanta veemência que se […]

  • Os ventos da roseta

    “Na navegação tudo gira em redor do rumo”. Esta é a frase inicial dos painéis de uma pequena exposição sobre bússolas que visitei no forte de Peniche, na Estremadura portuguesa. Uma das surpresas que tive vivendo em Portugal foi que o imaginário marítimo que na Galiza vivi como marca de família, de classe, popular, diferencial, […]

  • Santiago é grande

    O Largo das Portas do Sol é um miradouro sobre o estuário do Tejo bem conhecido por quem visita a cidade de Lisboa. O dia em que começo as notas de esta crónica o miradouro está cheio de turistas que circulam entre a Baixa, Alfama e o Castelo de São Jorge.

  • Uma escola na floresta

    Acabadas as aulas, neste início do mês de julho, arrumo mentalmente todas as vivências dos nove meses que passaram desde setembro, tentando resistir ao abatimento que provoca essa não escrita lei da insatisfação perpétua do corpo docente. Está tarde de vento e sol em Lisboa, depois do dia mais caloroso do ano. Passei boa parte […]

  • Ó sol, imortal sol, do meu país do sul*

    Depois de quase três anos de ausência, voltei ao Algarve. Do outro lado da janela do trem vejo a intensidade da cor avermelhada da terra e os campos de laranjeiras à volta da cidade de Silves. Posso adivinhar o docíssimo arrecendo a flor de laranjeira no ar. Uma das variadas leituras que conheci nos dez […]

  • E tu estás no mundo, terra minha

    Assistimos à primeira projeção pública do documentário “Porta para o exterior”, de Sabela Fernández e José Ramóm Pichel, em 25 de fevereiro passado.

  • Em Lisboa sobre lo mar

    “Existem cousas tristes em Lisboa”, cantava Uxia pelos 80. Por aqueles anos percorríamos país num Seat Panda com o autocolante de um grande G.

  • A arca e o limite. Folha solta duma História da migração

    Há algo de transcendente na história das migrações humanas, algo que nos iguala às andorinhas, algo que nos iguala à respiração e ao movimento das ondas.