Todos os artigos de Maria Dovigo

Nasci na Crunha em 1972 e vivo desde 2000 em Portugal. A minha formação é a Filologia, exerço a docência e sou poeta por vocação. No labor criativo ligo a minha vontade de intervenção cívica com a convicção de que a criação é a verdadeira natureza do ser humano. Colaboro com diferentes associações do espaço lusófono, tecendo redes de afetos e projetos à volta da vivência da língua portuguesa. Sou académica de número da Academia Galega da Língua Portuguesa.
  • Pondal, 2017

      Para José Inácio Regueiro, “no brando azul” No início do verão o diretor da revista portuguesa Nova Águia pediu-me para escrever uma evocação de Eduardo Pondal no centenário da sua morte. Como sempre que me aventuro em um artigo para divulgar algum aspeto da cultura galega, procurei relacionar a obra de Pondal com vários […]

  • Espaço lusófono: para além da língua

    A estátua do rei D. José I na Praça do Comércio de Lisboa é o centro simbólico do plano de reconstrução do marquês de Pombal para a cidade após o terramoto de 1755. Conforme a conceção do escultor Machado de Castro, que lhe deu a forma definitiva, partindo da ideia da escultura como poesia muda, […]

  • Cavando

    “Under my window, a clean rasping sound when the spade sinks into gravelly ground” Seamus Heaney   Quando vim para Portugal há quase duas décadas tinha na mente a imagem da Galiza como um grande espelho quebrado. Entre as muitas demandas com que comecei a minha particular migração também estava a de juntar os troços […]

  • E tudo está no cântico primeiro

    Há dous motivos de conversa que me avisam de que estou entre galegos: os marcos e as genealogias. Se faço memória pessoal, reconheço que uma das aprendizagens mais difíceis da minha vida, já longe da Galiza, foi habituar-me a que dizer “sou neta de Carme a cotovia” ou “criei-me na Agra do Orçám” não tivesse […]

  • Joana Sales: “O reintegracionismo, pelo contrário, tem uma visão da língua abrangente, cosmopolita, internacionalista, com a que me identifico”

    Maria Dovigo entrevista Joana Sales, ativista feminista da UMAR-União de Mulheres Alternativa e Resposta e recentemente fundadora da Femafro-Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afro-descendentes; que nos dias 18 e 19 de março participa no “Encontro de Mulheres da Lusofonia: Mulheres, territórios e memórias” em Vilar de Santos.

  • Encontro de mulheres da lusofonia

    “Se as mulheres falassem não haveria heróis”. Esta frase que a minha mãe repetia com alguma frequência tem-me feito pensar sobre as narrativas, os silêncios e os conceitos que organizam a nossa vida coletiva. Dizia a filósofa Hannah Arendt que os regimes totalitários têm em comum a criação de uma ficção à volta de uma […]

  • Saudade e lares viais

      “… e sempre excede a vida” Polissemia é voz grega da que muito gosto. Tenho prazer em observar o dinamismo do significado, a extensão, a redução, a transferência, e outros fenómenos que observa a semântica. Como no verbo criador de Cícero, o desvio do arado a sair do sulco, imagem da palavra para a […]

  • Devalar

    “Ai de mim, onde irei apanhar, quando o inverno vier, as flores”. Hölderlin, “Metade da vida” Pelo São Miguel. No momento em que começo estas notas um trem me leva ao sul. Ao meu lado um grupo de homens joga à carta. Um deles lança as cartas sobre a mesa com tanta veemência que se […]

  • Os ventos da roseta

    “Na navegação tudo gira em redor do rumo”. Esta é a frase inicial dos painéis de uma pequena exposição sobre bússolas que visitei no forte de Peniche, na Estremadura portuguesa. Uma das surpresas que tive vivendo em Portugal foi que o imaginário marítimo que na Galiza vivi como marca de família, de classe, popular, diferencial, […]

  • Santiago é grande

    O Largo das Portas do Sol é um miradouro sobre o estuário do Tejo bem conhecido por quem visita a cidade de Lisboa. O dia em que começo as notas de esta crónica o miradouro está cheio de turistas que circulam entre a Baixa, Alfama e o Castelo de São Jorge.