ALEXANDER FLEMING, UM GRANDE CIENTISTA

(Documentários vários)



De 4 a 11 de novembro comemora-se em muitos lugares do mundo a “Semana Internacional da Ciência para a Paz”. Um tema de enorme importância que é fundamental que em todos os estabelecimentos de ensino dos diferentes níveis, seja tratado e estudado, realizando atividades educativo-didáticas variadas, lúdicas, artísticas, informativas, etc. Para refletir sobre este importante tema, dentro da série dedicada aos grandes vultos da humanidade, escolhi a grande figura de Alexander Fleming (1881-1955), que foi um cientista, médico e bacteriologista escocês, e entre outras cousas, foi o que fez a descoberta da penicilina, facto tão importante para a vida e saúde dos seres humanos do nosso planeta. Tal como assinalamos ele é reconhecido pela descoberta da penicilina, considerada uma das mais importantes para a humanidade. Através dela, milhares de pessoas foram curadas de infeções que poderiam levar à morte. Atualmente, a penicilina é o antibiótico mais usado no mundo.Com o depoimento que lhe dedico cumpro o número 73 da série que iniciei com Sócrates.

PEQUENA BIOGRAFIA:

alexander-fleming-foto    Por considerá-la muito acertada, tomo como base para este depoimento a biografia de Fleming elaborada no seu momento pela brasileira professora de Biologia Lana Magalhães.

Alexander Fleming nasceu a dia 6 de agosto de 1881, em Lochfield, na Escócia. Era filho de um fazendeiro e tinha sete irmãos. Fleming foi um excelente aluno durante todo o estudo básico. Aos 13 anos, mudou-se para Londres, onde frequentou a escola politécnica e trabalhou por anos como “office boy” em um escritório. Decidiu seguir a carreira médica e ingressou na Escola de Medicina de St. Mary. Ainda no início de seus estudos, começou a pesquisar substâncias antibacterianas que não fossem tóxicas ao ser humano. Durante a Primeira Guerra Mundial, Fleming serviu o exército britânico, atuando como médico da marinha. Nessa ocasião, viu a morte vários soldados em decorrência de ferimentos e infeções. Após a guerra, regressou ao Hospital St. Mary, onde trabalhou como professor. Ao mesmo tempo, desenvolvia pesquisas em busca de novos antissépticos para o tratamento de infeções, sem destruir tecidos saudáveis ou diminuir a defesa do organismo.

Em 1921, Fleming ao espirrar acidentalmente sobre uma placa com colônias de bactérias observou que existia uma substância capaz de destruí-las. Ele nomeou essa substância de lisozima e publicou artigos científicos para noticiar sua descoberta. Em 1928, Fleming observava algumas placas com cultivo de bactérias quando uma lhe chamou atenção. Essa placa havia sido contaminada por esporos de fungos presentes no ar. Fleming achou tratar-se de uma contaminação comum, até observar que em volta do fungo, as bactérias haviam desaparecido, enquanto em outras partes da placa continuavam presentes. Por meses, Fleming realizou vários experimentos concluindo que o fungo Penicillium notatum, possuía uma substância capaz de matar as bactérias. A essa substância foi dado o nome de penicilina.

Os resultados do seu estudo foram publicados no British Journal of Experimental Pathology.

Apesar da relevância de sua descoberta, Fleming não tinha recursos financeiros para a produção de um medicamento. Ele optou por não patentear a sua descoberta, com o objetivo de que pudesse ser utilizada por outros cientistas.

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Apenas em 1940, os cientistas Howard Florey e Ernst Boris Chain dedicaram-se a criar um antibiótico com base na penicilina. Em 1941, eles documentaram quase 200 casos de tratamento de infeções com o novo medicamento. A descoberta da penicilina e o desenvolvimento do antibiótico renderam a Alexander Fleming, Howard Florey e Ernst Boris Chain o prêmio Nobel de Medicina, em 1945. Alexander Fleming morreu na capital britânica o dia 11 de março de 1955, após um ataque cardíaco. Ele foi enterrado na Catedral Saint Paul, em Londres. Apesar do reconhecimento de sua grande descoberta, Fleming declarou a seguinte frase: “Não inventei a penicilina. A natureza é que a fez. Eu só a descobri por acaso”.

    HOMENAGENS E PRÊMIOS RECEBIDOS:

    Alexander Fleming recebeu várias homenagens e prêmios:

-Medalha Honorária de Ouro do Colégio Real de Cirurgiões (1946).

-Prêmio Cameron da Universidade de Edimburgo (1945).

-Medalha Moxon, do Colégio Real de Médicos (1945).

-Prêmio Nobel de Medicina (1945).

-Medalha de Ouro da Sociedade Real de Artes (1946).

-Medalha de Ouro da Sociedade Real de Medicina (1947).

-Medalha de Mérito dos EUA (1947).

Ademais recebeu quase 30 diplomas de doutorado Horonis Causa de universidades europeias e americanas.

     FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS :

  1. Alexander Fleming. As passagens da história.

     Duração: 26 minutos. Realizador: Juan António Cebrián.

  1. Os Sábios: Alexander Fleming.

Duração: 10 minutos.

  1. Alexander Fleming: Biografia.

Duração: 8 minutos.

https://youtu.be/kV2cIzCf7AE

  1. A. Fleming descobre a Penicilina.

     Duração: 7 minutos.

 

SEMANA DA CIÊNCIA PARA A PAZ: MENSAGEM:

    A Semana Internacional da Ciência e da Paz foi proclamada há 30 anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A ciência e a tecnologia têm papéis importantes a desempenhar na promoção do progresso e da paz – desde a alteração climática à saúde pública; da segurança alimentar ao saneamento; do desarmamento à preparação para a ocorrência de catástrofes.alexander-fleming-foto-1

Contudo, com demasiada frequência, os decisores políticos não estão conscientes quanto às soluções que a ciência moderna e a tecnologia podem oferecer aos desafios contemporâneos. E grande parte do mundo permanece alheio aos avanços científicos. Um desafio chave é o de promover a investigação em benefício dos pobres que tenha em atenção as necessidades dos mais carenciados e das pessoas mais vulneráveis no mundo, como sejam os pequenos agricultores. Entre outros imperativos contam-se a redução do fosso no acesso à tecnologia da informação e a expansão da educação, de modo a melhor preparar os jovens para empregos nos domínios da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática. Tais esforços são fundamentais para acelerar o nosso trabalho rumo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e na definição de uma visão ousada durante o período pós-2015.

A ciência proporciona muitas respostas a ameaças comuns e várias inovações que nos podem ajudar a aproveitar oportunidades comuns. A nossa geração é a primeira com o conhecimento e com as ferramentas para acabar com a pobreza extrema. A nossa geração é a que deve, e pode, com as tecnologias que já estão à nossa disposição, delinear um caminho para um futuro sustentável. Temos também a responsabilidade de proteger toda a humanidade contra as utilizações destrutivas dos avanços científicos e capacitar, sobretudo através da aposta num mundo livre de armas nucleares e conter a proliferação de outras armas de destruição maciça.

Podemos fazer tudo isto e mais se trabalharmos em conjunto para aproveitar o poder da ciência em prol de um bem maior em toda a parte e promover políticas baseadas em dados comprovados. Aguardo com expectativa para trabalhar com as comunidades científicas e académicas e com todos os outros parceiros que possam contribuir para a missão global das Nações Unidas pela paz, pelo desenvolvimento e pelos direitos humanos. Aceitem, por favor, os meus votos para uma celebração memorável.

IMPORTÂNCIA DA PENICILINA PARA A HUMANIDADE:

    A brasileira especialista em imunologia Mariana Araguaia de Castro Sá Lima, escreveu no seu momento um acertado depoimento sobre este tema, que temos a bem reproduzir a seguir.

    A descoberta da penicilina se deu de forma acidental, pelo médico e bacteriologista escocês Alexander Fleming, em 1928. Pesquisando substâncias capazes de combater bactérias em feridas, esqueceu seu material de estudo sobre a mesa enquanto saía de férias. Ao retornar, observou que suas culturas de Staphylococcus aureus estavam contaminadas por mofo e que, nos locais onde havia o fungo, existiam halos transparentes em torno deles, indicando que este poderia conter alguma substância bactericida. Ao estudar as propriedades deste bolor, identificado como pertencente ao gênero Penicillium, Fleming percebeu que ele fornecia uma substância capaz de eliminar diversas bactérias, como os estafilococos: responsáveis pela manifestação de diversas doenças, tanto comuns quanto mais graves. A substância recebeu o nome de “penicilina”.

Tal achado, comprovadamente inofensível para as células animais, foi isolado, concentrado e purificado em laboratório alguns anos depois, por Howard Florey e Ernst Chain. Na época da Segunda Guerra Mundial, esta substância foi produzida em larga escala, por fermentação, salvando milhares de vidas. A penicilina tornou-se disponível para a população civil na década de 40: mesma época em que os três pesquisadores ganharam o prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas, estas capazes de impedir a morte e complicações de doenças como pneumonia, sífilis, difteria, meningite, bronquite, dentre outras.
Atualmente a penicilina é utilizada de forma menos frequente em razão de seu uso indiscriminado, causando a seleção das bactérias e consequentemente, ao longo do tempo, resistência a este antibiótico. Assim, hoje a Amoxicilina é o antibiótico mais amplamente utilizado no tratamento de doenças bacterianas.

AS FRASES FAMOSAS DE FLEMING:

    Apresento uma escolma das suas frases mais significativas:

  -“A penicilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes”.

  -“Falem de mim bem ou mal, mas não me esqueçam”.

  -“A cada dia seu mal ou seu bem”.

“Não deixe que as doutrinas vigentes entorpeçam seu cérebro”.

-“Para  conhecermos os amigos, o ser humano precisa passar pela abundância e pela escassez: Na abundância verificamos a quantidade, e na escassez verificamos a qualidade.

-“O investigador sofre decepções, os longos meses passados em uma direção errada, os fracassos. Mas as falhas também são úteis, porque, se bem analisadas, podem levar ao sucesso. E para o pesquisador não há alegria comparável à de uma descoberta, ainda que pequena.

-“Minha grande sorte foi ter sido criado como um membro de uma grande família numerosa vivendo em uma fazenda. Não tínhamos dinheiro para gastar, mas não tínhamos despesas. Tivemos, então, que inventar o nosso entretenimento, mas era fácil. Não possuíamos os animais da fazenda? Os peixes e as aves? Acima de tudo, e inconscientemente, aprendíamos mil coisas que os moradores da cidade ignoravam por toda a sua vida.

  -“Um jardineiro não deve ser impaciente. As flores precisam de tempo para se desenvolver. Se você tentar acelerar o seu crescimento, fará a elas mais mal do que bem. Você pode protegê-las contra os elementos, pode dar-lhes alimento e bebidas. Mas não é difícil matá-las se você lhes fornecer alimentos ou bebidas de mais. Elas respondem à simpatia e podem suportar um tratamento extremamente duro. Em suma, são bem como os seres humanos.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários e filmes (curtas e longas) citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Alexander Fleming, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e o seu importante labor como cientista de categoria mundial. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra incluirá também uma secção especial dedicada a comemorar a “Semana da Ciência para a Paz”.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, lendo antes todos, estudantes e docentes, o livro publicado em 1975 pela editora Três do Brasil, sob o título de Alexander Fleming. Os homens que mudaram a humanidade (volume nº 21). Em castelhano foi publicada em 2017 uma biografia pela Ariel Juvenil com o título de Alexander Fleming, escrita por Flores Lázaro e ilustrada por Nelson Jácome, que também pode valer para a atividade citada. Com o mesmo título em idioma português, a editorial brasileira Globo, na coleção “Os Grandes Cientistas”, publicou em 1990 outra interessante biografia de Fleming.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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