ALDEMIR



Microrrelato para a Campanha  ILP De proteção do bosque autoctone da Galiza.

Protegidas da chuva polos suportais do Concelho, duas mulheres pediam assinaturas a gente que passava. Para proteger os bosques autóctones da Galiza. A voluntaria da Cruz Vermelha que o acompanhava assinou depois de ter falado algo com elas, e ele fez o mesmo embora so compreendeu a palavra bosques:

A Aldemir Māwardī. Iluminou-se-lhe a cara ao escrever seu nome e os números que copiava com muito cuidado da sua carta de identidade.

Levantou a cabeça e viu um sorriso de simpatia na mulher que lhes apresentava o papel com as listagens de assinantes. Como se, naquele aceno, ela o agarimasse adivinhando o drama que aqueles números agachavam :

A sua luta trás a longa travessia no mar, as dormidas nos cantos das ruas, as fugidas da policia á procura de ilegais,as linguagens estranhas ou a esposa morta junto com a criança que crescia em seu ventre. As corridas desesperadas para fugir dos ataques com armas químicas. A desaparição dos “seus” :Uns mortos , outros voltados em inimigos.

Como se ela pudesse ver em seus olhos verdes as antigas florestas de cedros hoje totalmente arrasadas polas bombas.

Adela Figueroa Panisse

Adela Figueroa Panisse

Adela Clorinda Figueroa Panisse é de Lugo (Galiza), fazedora de versos, observadora do mundo e cuidadora de amizades. Trabalhadora no ambientalismo e na criatividade da palavra. Foi professora e lutadora pela recuperação da dignidade da Galiza e, ainda, pela solidariedade entre os seres humanos e a sua reconciliação com a terra. Gosta de rir, cantar e de contar contos. Também de escutar histórias, de preferência ternas e de humor.
Adela Figueroa Panisse

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  • Ernesto V. Souza

    Belíssimo e combativo texto, Adela. Um prazer de ler.

  • abanhos

    Adorei