AS AULAS NO CINEMA

ADOLFO FERRIÈRE, O DIFUSOR DO MODELO DA ESCOLA NOVA OU ATIVA NO MUNDO

(Vários documentários)



Estamos nas datas do início de um novo ano escolar, depois de passar o período oficial de férias de julho e agosto. É tempo este, pois, de voltar a falar da educação e da sua importância social, dos estudantes, das escolas, dos recursos educativos e didáticos, do importante ofício dos mestres, educadores e docentes, da sua formação e do apoio social de que necessitam, e do papel das AMPA (associações de mães e pais / associações de encarregados da educação).

Para datas tão assinaladas e significativas, dentro da série dedicada a grandes personalidades que iniciei com Sócrates, escolhi para o meu depoimento o grande pedagogo suíço Adolfo Ferrière (1879-1960), que foi realmente o difusor (e promotor) do modelo da Escola Nova – que ele preferia denominar “Escola Ativa” – no mundo, nomeadamente na Europa e América, para o qual realizou numerosas viagens a diferentes países. O meu depoimento sobre a sua figura faz o nº 65 da série.

adolfo-ferriere-foto-1 Doutor em sociologia, filósofo e pedagogo, nasce em Genebra a 30 de agosto de 1879, no seio de uma família protestante de profunda tradição intelectual. Falece na mesma cidade genebrina a 16 de junho de 1960. O seu conhecimento das doutrinas pedagógicas de Rousseau, Bergson, Claparède, Dewey, Montessori, Decroly, etc., junto com a sua dilatada experiência docente, e as suas grandes dotes de organizador, fazem de Ferrière um dos principais diretores e dinamizadores do movimento de renovação educativa e o maior divulgador da Escola Nova ou Ativa na Europa e América.

A partir de 1900, praticou como educador nos lares de educação no campo de H. Lietz. Posteriormente fundou as suas próprias escolas novas, que se converteram em verdadeiros laboratórios de pedagogia onde pôde contrastar na prática os princípios psicobiológicos aplicados à educação.

Inicia o seu labor organizador em 1889 ao fundar o Escritório Internacional das Escolas Novas, fixando o seu programa mínimo em 1922. Hão de ser internados familiares, situados no campo, onde a formação intelectual da criança se produza pela própria experiência, e onde o escolar pratique o trabalho e o autogoverno, como base da educação moral e cívica. Em 1921 tinha colaborado na fundação da Liga Internacional da Nova Educação, sendo diretor de uma das suas revistas, Pour l´Ère Nouvelle (“Para a Nova Era”). Em 1926, juntamente com Zollinger e Claparède, funda o Escritório Internacional de Educação (BIE), dentro do Instituto J. J. Rousseau, de que Ferrière foi diretor adjunto e professor, com o objeto de ampliar as relações internacionais dentro do campo pedagógico.

Através da sua ingente produção literária encontram-se dous princípios que vão inspirar a sua teoria pedagógica, isto é, o de considerar a criança como força e impulso vital originário, conjunto de instintos, tendências, capacidades e necessidades que suscitam uns interesses determinados distintos nas diferentes idades; e o de ter em conta a lei biogenética ou da correspondência entre o desenvolvimento da espécie e o desenvolvimento do indivíduo. Por isto, o seu afã era adaptar a educação às exigências da vida, respeitando as leis psicológicas e fisiológicas que condicionam o desenvolvimento do organismo humano. Daí que preconizasse a individualidade e a criatividade espontânea do educando, e uma organização flexível da atividade docente e da aprendizagem.

No ativismo de Ferrière – e também de Claparède – confluem as ideias teóricas do pragmatismo, o pensamento de Bergson e a influência da escola do trabalho de Kerschensteiner. O ideal da Escola Ativa, afirma Ferrière, é a atividade espontânea, pessoal e produtiva. A finalidade do ato didático está em pôr em marcha as energias interiores do educando e responder às predisposições e interesses numa atmosfera de respeito à criança, de liberdade e de atividade espontânea.

Na sua obra O meu grande diário (Mon grand journal), com data de 23 de janeiro de 1944, Ferrière divide a sua vida intelectual em cinco decénios, cada um deles dominado por uma disciplina diferente: “Entre 1900 e 1910 vivi na metafísica. De 1910 a 1920, vivi na psicologia. De 1920 a 1930 foi a pedagogia que ocupou o lugar preferente. De 1930 a 1940, a sociologia. E encontro-me aqui, desde 1940, metido até o pescoço, até a alma, até o espírito, na filosofia”. Não há dúvida de que, senão fosse pela sua surdez e problemas para ouvir, o primeiro labor de Ferrière teria sido levar à prática o Projeto de Escola Nova (Projet d´école nouvelle), cujo folheto-programa publicou em 1909. Amostra da aparição da sua vocação educativa. Que também aparece no Jornal reconstituído (Journal reconstitué) e na sua correspondência de juventude com seus pais, o melhor conhecimento do meio familiar e social, que permitem determinar três factos: Ferrière prolongou de adulto a sua precoce atividade de “líder”; o seu perfil “individualista” típico do inovador pedagógico; e a sua juventude desenvolvida no seio de uma família da alta burguesia filantrópica de Genebra, para a qual a Escola Nova era um horizonte “natural”.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS:

  1. Adolphe Ferrière: ideias educativas.

     Duração: 3 minutos. Produtora: Universidade Nacional Autónoma de México.

  1. Adolphe Ferrière. Criado em maio de 2012.

Duração: 30 minutos. Elaborado por um grupo de professores do Rio de Janeiro.

Ver e ler em: https://pt.slideshare.net/perseusilva/adolphe-ferrire-13014822

  1. Adolfo Ferrière (1879-1960), três ideias educativas.

Duração: 6 minutos.

  1. Adolphe Ferrière e a Escola Nova.

Duração: 10 minutos. Realizador: José Luis Santa Ana Solís.

  1. Adolphe Ferrière.

Duração: 4 minutos. Realizadora: Blanca Alícia Sánchez Mireles.

  1. Adolphe Ferrière: a Escola Ativa.

Duração: 3 minutos. Realizado por alunos da Universidade Autónoma S. Luis Potosí.

  1. Adolphe Ferrière e a Escola Nova.

Duração: 5 minutos. Realizado por Fabiola Thais Sánchez Ávila.

  1. A Escola Nova e Adolphe Ferrière.

Duração: 19 minutos. Realizado por Héctor Torres Rios.

Nota: Em 1929 Ferrière filmou um documentário muito interessante sobre a sua escola nova Home “Chez Nous”, em que oferece um resumo adequado da sua conceção educativa de uma infância feliz e responsável. A câmara segue a experiência dum grupo de crianças que toma por completo ao seu cargo, desde que se levantam até que se deitam. Mais adiante comentaremos os outros conteúdos deste filme-documentário.

 

PSICÓLOGO DA INFÂNCIA:

    Ferrière destacou sempre pelo componente “psicológico” da sua inclinação a ocupar-se das crianças e dos adolescentes. Ao tempo que se considera “educador de profissão”, apresenta-se como “psicólogo da infância”. Já no seu balanço íntimo de 1953 insiste de forma retroativa nesta “curiosidade” de psicólogo. Curiosidade que parece ter sentido desde muito cedo com respeito aos fenómenos de grupo. O “pedagogo” e o “politólogo” unem-se aqui ao “psicólogo”: por estes três conceitos podemos considerar Ferrière um continuador de Gustave le Bon, o primeiro intérprete da psicologia das massas em 1985. Assim, na sua obra de 1921 A autonomia dos escolares, apresentada como um “estudo de psicologia social”, Ferrière conclui um capítulo sobre os bandos de crianças reproduzindo as passagens essenciais de um documento que lhe remeteu um educador que foi, na sua adolescência, líder de algum deles.

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Já em 1911 Ferrière confessa que sofreu muito na escola, e o balanço mais tarde, em 1953, piora ainda mais a sua lembrança, chegando a dizer “a escola esteve a ponto de me matar”. O argumento é clássico, e mesmo banal, entre os defensores da nova educação. Porém, na sua evocação íntima destes anos escolares, o nosso psicopedagogo não mostra tanto rancor aos docentes nem à sua maneira de dar e levar as aulas, agás quando se queixa do muro que levantou entre eles e ele a sua surdez, que ia agravando-se de forma inexorável. No entanto, mostra-se mais severo a respeito dos seus colegas de turma. Não é só a surdez que o isola, como também a sua vontade, de bastante orgulho, de não respeitar as convenções acatadas pelas “famílias que contam na cidade”, e que encontra de novo nas suas relações com os colegas de escola. Ferrière é um caso típico de vocação de educador renovador, à sua maneira um não conformista. Ao tempo que se mostra “serviçal e sociável”, como escreve na sua autobiografia clandestina de 1921, age como um individualista, ou mais exatamente como um “individual” que não pertence a nenhum grupo ou camarilha.

adolfo-ferriere-capa-livro    Ora bem, uma caraterística comum dos fundadores de escolas novas rurais que propõem uma rutura com a ordem escolar existente é precisamente a de serem personalidades fortes e carismáticas. A história das escolas novas abunda em colaborações tempestuosas e ruturas entre personalidades muito contrastadas. Ferrière, apesar da sua surdez, foi para muitos um homem de diálogo, no fundo desejoso de “escuitar” e ajudar o seu próximo. Porém, esta disponibilidade anímica não é incompatível com a consciência da própria valia. Este traço tão pessoal manifesta-se no seu Projeto de Escola Nova de 1909. Tinha trinta anos e apresenta-se como um homem de iniciativa, seguro do bem fundado da sua empresa e das orientações que adota, desejoso de deixar pegada na educação. No entanto, este projeto reflete ao mesmo tempo a sua identificação com os ideais comuns das Escolas Novas rurais. Segundo a sua fórmula, quer que se lhe reconheça como “um pioneiro entre os pioneiros”.

O SEU CONTACTO COM AS ESCOLAS NOVAS RURAIS:

    Ferrière teve um contacto precoce com as Escolas Novas rurais, cujos inícios se remontam a 1889 com a criação pelo escocês Cecil Reddie da sua escola nova de Abbotsholme. Porém, não é ele o primeiro que descobre as escolas novas, pois o seu contacto com elas o estabelece por intermédio da sua família. Assim, dous de seus primos irmãos trabalham em escolas novas desde 1899, um na Landerziehungsheim de Ilsenburg, na Alemanha, que dirigia Hermann Lietz, e o outro na Escola Nova de Bedales, Inglaterra, cujo diretor era J. H. Badley, antigo colaborador de Reddie na Abbotsholme, duas escolas emblemáticas do movimento. Por outra parte, o seu tio, o pastor Louis Ferrière publicou um estudo sobre elas.

Ademais Ferrière data o ano 1899 de quando visitou, na companhia de seu pai, Edmond Demolins na “Escola das Rochas” de Verneuil-sur-Avre, na França. Tinha lido já o livro do sociólogo e pedagogo galo A que é que se deve a superioridade dos anglo-saxónicos, publicado em 1897, assim como A Educação Nova, manifesto de Demolins dirigido às famílias. Como Ferrière tinha lembrado em diferentes ocasiões, foi o pedagogo Demolins quem, tendo em conta a surdez crescente do jovem, lhe sugeriu uma tarefa compatível com a sua deficiência: criar um Escritório Internacional das Escolas Novas. Assim poderia desenvolver um labor de comparação e avaliação ao serviço dos inovadores e também, a mais longo prazo, ao serviço da própria escola pública. Porém, naquela altura, ainda não tinha renunciado ao seu projeto de educar e debateu o assunto extensamente com os seus pais, pelos que sentia profunda veneração.

Com Decroly Bovet Claparède Geheeb e Beatrice Ensor

Com Decroly Bovet Claparède Geheeb e Beatrice Ensor

Contudo, o acontecimento principal da sua formação foi o período que passou, entre 1900 e 1902, com Hermann Lietz, que ia supor para ele uma verdadeira iluminação. Num começo trabalha como “jovem mestre voluntário”, dedicando muito tempo, a julgar pela correspondência com a sua família, a organizar e vigiar os estudos de seus irmãos menores, matriculados como estudantes na mesma escola. Porém, com o tempo ganha-se a confiança de Lietz, põe-se da sua parte com motivo de uma rebelião do pessoal docente da escola e durante alguns meses converte-se em colaborador direto, assíduo e fascinado de aquela personagem carismática. Ferrière situa nesta escola de Haubinda as suas primeiras tentativas de ensino ocasional baseado nos “interesses espontâneos” dos alunos, que lhe permite reivindicar a prioridade sobre “os dous ensaios que vieram a seguir”, em 1907 e 1908, de Mª Montessori e de Ovídio Decroly, que tiveram uma difusão mundial. Ferrière insiste em aparecer como adiantado dos maiores educadores, que se explica pela sua estratégica escolha que terá que fazer, quando “entre em pedagogia” no ano 1921. Apresentar-se como um praticante da educação, e diferenciar-se assim dos que só foram pioneiros da educação nova nos seus livros. Em 1936 chega a assinalar também a sua diferença a respeito dos demais professores do Instituto J. J. Rousseau (Claparède, Bovet e Piaget): “todos têm escrito muito, diz com certa acritude, porém, o único que tem praticado é quem assina”.

Além do período fundacional que passou em 1900-1902 na escola de Lietz, Ferrière evoca a sua passagem por Glarisseg em 1902, onde colaborou efetivamente durante três meses com W. Frei e W. Zuberbuhler, dous ajudantes suíços de Lietz, que fundaram a primeira Landerziehungsheim da Suíça. Também comenta os seus seis anos de colaboração intermitente na Escola-Lar das Pléïades, de 1914 a 1920.

AS SUAS DUAS ESCOLAS NOVAS: BEX (1920-21) E HOME “CHEZ NOUS”:

    O seu ano académico na Escola Nova de Bex (1920-21) é na realidade um laboratório da “prática da escola ativa”, que vai ser depois o título do seu livro de 1924. No seu Diário comenta: “Vim a Bex à procura da técnica da escola ativa e a conformar as minhas convicções. A técnica, quase que não a pude começar a captar, porém, a experiência, por incompleta que fosse, não fez mais que fortalecer as minhas convicções”.

adolfo-ferriere-caricatura    O praticante de Bex é, ao próprio tempo, o polemista de Transformemos a escola (livro seu de 1920), obra em que critica duramente o sistema educativo tradicional. Nesta altura é também o orador do Congresso das Escolas Novas em Calais, de 1921, em que é eleito vice-presidente da recém-criada Liga Internacional para a Educação Nova (“The New Education Fellowship”), e redator de Pour l´Ere nouvelle, em janeiro de 1922, versão francesa da revista da Liga. Esta função militante era apaixonante para ele.

Ferrière vai encontrar em 1929 a compensação que procura para os seus sonhos frustrados de educador. Continua a sentir nostalgia da escola-modelo que ainda não pôde organizar com sucesso, e da qual esperava que confirmasse as suas teorias. O refúgio pedagógico que vai encontrar é um lar para órfãos com o nome de Home “Chez nous”, que converte numa escola nova especial. No balanço que faz em 1929 escreve: “Necessito de estar rodeado de crianças. Pois bem, na Home “Chez nous” encontrei crianças famintas de tenrura, um ambiente de frescura, de sinceridade, de ajuda mútua, diretoras que dizem necessitar do meu apoio, que seguem os meus conselhos em matéria de ensino e os seguiam já em matéria de educação antes mesmo de que eu lhos desse”.

Para as crianças desta escola é uma questão de honra fazer tudo sós (tal como bem se observa no documentário antes citado). As mais velhas procuram ajudar as mais pequenas sem as substituírem. A concórdia reina na “pequena república”. O ar livre é a sua regra de higiene. As crianças vão recolher lenha à fraga próxima. Cuidam do jardim. Sobem às árvores. Banham-se nuas sem falso pudor. A aprendizagem baseia-se na mobilização de centros de interesse tomados da vida corrente, lugar privilegiado para a “vida” a secas. As palavras que as crianças aprendem a ler designam os objetos do ambiente quotidiano, a planta que se desenha e se recorta foi recolhida antes no jardim. Os cálculos se fazem brincando às lojas ou enfiando contas num colar. E as mais velhas levam o seu “livro da vida”, um catálogo elaborado e decorado cuidadosamente com os materiais mais singelos, e no qual se ordenam segundo uma classificação racional os diversos documentos que se vão encontrando de forma espontânea. Evidentemente, este acaso o mestre pode provocá-lo ou facilitá-lo um pouco. Embora a iniciativa seja das crianças. O trabalho individual alterna-se com o coletivo e com as explicações para todos os alunos. Não há aula nem “lições”. Tudo se baseia na felicidade de aprender, de autodisciplinar-se e de manifestar a solidariedade. A energia para o bem, latente em toda criança “sã”, pode manifestar-se sem entraves. Todas põem à prova as suas qualidades particulares e as exploram na medida das suas possibilidades, pondo-as sem reserva ao serviço da comunidade. Nem violência, nem culpabilidade, nem sanção. E, no entanto, não é a anarquia. Tudo permanece “limpo e em ordem”, como se diz no cantão de Vaud.

O SEU LABOR DE DIFUSÃO DO MODELO DA ESCOLA NOVA OU ATIVA:

    A partir de 1921 Ferrière participa muito ativamente na conceção e organização laboriosa e gradual do Escritório Internacional de Educação (BIE), de que é nomeado diretor adjunto na sua fundação, em 1925, cargo em que é confirmado quando o BIE se converte numa organização internacional em 1929. Porém, não tem quaisquer ilusões sobre esta nomeação, e renuncia ele mesmo, por culpa da sua surdez, ao cargo de secretário-geral. Sem sucesso tratou de encontrar uma “fonte de financiamento” na BIE para o seu Escritório Internacional da Escola Nova, da qual, desde um princípio, foi único e não remunerado funcionário, e este trabalho gratuito é-lhe pesado de mais. No entanto, encontra alguma compensação no prestígio de que goza, é demasiado lúcido para deixar-se enganar.

adolfo-ferriere-foto-2    Ao longo dos anos vinte intervém regularmente nos congressos da Liga: Montreux (1923), Heidelberg (1925), Locarno (1927) e Elsinor (1929). A revista Pour l´ere nouvelle ocupa uma parte considerável do seu tempo, que considera a sua revista e lhe serve de autêntica tribuna para divulgar as suas ideias, embora, do ponto de vista lucrativo, os resultados sejam bastante medíocres. Entre o 1920 e 1930, durante dez anos, é quando faz a maioria de viagens pedagógicas por diversos países, durante as quais multiplica conferências e palestras, que são outros tantos apelos a favor da escola ativa ou da psicologia genética tal e como ele a concebe: Bélgica e Países Baixos (1924), França, Inglaterra e Jugoslávia (1925), Itália (1926), França, Bélgica, Alemanha, Itália, Hungria, Romênia e Áustria (1928), Alemanha, Checoslováquia e Polónia (1929), Espanha, Venezuela, Equador, Peru, Chile, Argentina, Paraguai e Portugal (1930). A sua verdadeira consagração dá-se com a missão oficial que lhe encarregam para avaliar o sistema educativo do distrito de Esmirna na Turquia (1928).

Ferrière escreveu infinidade de obras pedagógicas, sobre os mais variados temas educativos. Muitos dos seus livros pedagógicos foram publicados em numerosos idiomas, e entre eles o português e o castelhano. Perante a impossibilidade de citar todos, tenho por bem fazer uma escolha dos que considero mais interessantes (entre parêntese assinalo o ano da primeira edição original de cada livro). Projeto de Escola Nova (1909), A lei biogenética da educação (1910), Os fundamentos psicológicos da escola do trabalho (1914), Transformemos a escola (1920), A autonomia dos escolares (1921), A educação na família (1921), A atividade espontânea na criança (1922), A Escola Ativa (1922), A prática da escola ativa (1924), A coeducação dos sexos (1926), O grande coração maternal de Pestalozzi (1927), O progresso espiritual (1927), A liberdade da criança na escola ativa (1927), Três pioneiros da educação nova (1928), A escola por medida pelo molde do professor (1931), As nossas crianças e o porvir do país, chamado aos pais e aos educadores (1942) e Para uma classificação natural dos tipos psicológicos (1943).

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Ferrière, a sua vida, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e o seu importante labor para difundir o modelo da Escola Nova ou Ativa no mundo. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. A citada amostra há de incluir também uma secção especial dedicada ao movimento pedagógico das Escolas Novas.

Desenvolveremos um Livro-fórum em que participem todos os escolares e docentes. O livro mais adequado para ler é o intitulado A Escola Ativa, de que existem edições em português e em castelhano. Esta obra foi editada em 1922, e em 1946 se publicou outra edição aumentada e ampliada. Dentro deste livro é muito interessante o capítulo 3 dedicado à Atividade manual na Escola Ativa. No mesmo dão-se numerosas e interessantes ideias de tipo prático para desenvolver um amplo currículo de trabalhos manuais nos estabelecimentos de ensino. Outro livro que também poderia valer perfeitamente para o livro-fórum é o intitulado Transformemos a escola, de que existe tradução e edição em português e castelhano.

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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  • Ernesto V. Souza

    Impressionam estes rascunhos, ideias e modelos de escolas… bem mais modernas e interessantes que tudo o que hoje nos querem colocar… enfim…