Abrahan Carreiro: “Gostaria de ver umha Galiza em que nas lojas e discos chique se falasse galego e os trending topics estivessem escritos em galego”



abrahan-02Abrahan Carreiro é um neofalante de nascimento, vive e trabalha em Vigo como desenhador e gosta dos trabalhos ao estilo de Joe Sacco.

Gostaria de ver umha Galiza em que o galego fosse chique.

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Abrahan Carreiro nasceu e vive em Vigo e tem dúvidas existenciais sobre se é paleo ou neo falante. Qual é a causa?

Se tenho em conta a minha incorporaçom ao galego, nom som um neofalante. Falo, escrevo e leio em galego desde pequeno. Mas fum educado por dous neofalantes (meus pais), medrei no centro de Vigo, onde apenas existem paleofalantes, e no colégio educárom-me e relacionei-me em espanhol. Portanto, nem tenho sesseio, nem gheada, nem diferencio as vogais como deveria de ser se fosse um paleofalante viguês. Se tenho que me enquadrar, diria que estou mais perto de um neofalante que de um paleofalante.

Agora já na idade adulta, como é que se vive em galego numha cidade das caraterísticas de Vigo?

Vigo tem duas caras. Depende das paroquias e dos ámbitos onde te movas. Fora do centro, em Cabral, Matamá, Bouças, Valadares… o galego é vivido de forma mui natural. Polo contrário, se falares galego no centro, ou és um intelectual, ou um nacionalista de esquerdas, ou acabas de baixar do monte.

Abrahan está a aprender sobre a prática escrita do galego internacional. Como te sentes nesse momento prévio ao mergulho? Por que decidiste mergulhar?

Agora mesmo sinto a curiosidade e o prazer de aprender algo novo. A decisom de mergulhar-me no galego internacional foi principalmente para abrir mais a minha capacidade de comunicaçom e de conhecimento.

Abrahan é desenhador, designer e ilustrador gráfico. Que projetos som os que te seduzem, ou sequestram, em maior medida?

Gosto muito do trabalho de jornalista gráfico, ao estilo de Joe Sacco, e também do desenho de cartazes e capas de discos.

A Através reeditou recentemente a História da Língua em Banda Desenhada. É o cómic umha forma especialmente eficaz de transmitir ideias e formas de ver a realidade?

Penso que é umha forma mais de comunicaçom, nem melhor nem pior. Se o trabalho é bom e o que comunicas é interessante penso que funciona tanto se é um cómic, um filme, umha novela, um grafiti…

Que me motivou a te tornar sócio da Agal. Que esperas da associaçom?

Manter a Associaçom é importante para espalhar e fazer visível o galego internacional e também para fazer força e conseguir que o galego internacional faga parte da norma oficial galega. Isso é o que me motivou.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2040?

Gostaria de ver umha Galiza em que nas lojas e discos chique se falasse galego e os trending topics estivessem escritos em galego.

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Conhecendo Abrahan Carreiro

Um sítio web: Wikileaks.org

Um invento: A religiom.

Umha música: Depende o momento. Nom sendo o regueton, gosto de todo tipo de música. Agora mesmo estou a ouvir Wrong ´Em Boyo de The Clash.

Um livro: Poemas 1981-1991 de Lois Pereiro

Um facto histórico: O dia em que nasci.

Um prato na mesa: Xoubinhas fritas com pimentos de Padrom e patacas fritas.

Um desporto: A nataçom

Um filme: Les triplettes de Belleville de Sylvain Chomet

Umha maravilha: Um orgasmo partilhado.

Além de galego/a: Muitas cousas.

Valentim Fagim

Valentim Fagim

Nasceu em Vigo (1971). Professor de Escola Oficial de Idiomas, licenciado em Filologia Galego-portuguesa pola Universidade de Santiago de Compostela e diplomado em História. Trabalhou e trabalha em diversos âmbitos para a divulgaçom do ideário reintegracionista, nomeadamente através de artigos em diversas publicações, livros como O Galego (im)possível, Do Ñ para o NH (2009) ou O galego é uma oportunidade (2012). Realizou trabalho associativo na AR Bonaval, Assembleia da Língua de Compostela, no local social A Esmorga e na AGAL, onde foi presidente (2009-12) e vice-presidente (2012-15). Co-diretor da Através Editora e coordenador da área de formação. Académico da AGLP.
Valentim Fagim

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  • Galego da área mindoniense

    A religiom será um invento, mais é ũa pate importante da nossa cultura. E mais por istas datas, o Sam Joám. Podíades fazer algo verbo das lendas e contos do San Joám.